
INÚTIL GUERRA CONTRA AS ARMAS
O senador Renan
Calheiros, do PMDB de Alagoas, mudou de funções,
mas continua com a mesma teimosia dos seus
tempos de ministro da Justiça do governo
Fernando Henrique Cardoso, em que, por sinal,
foi um dos oito que ocuparam o cargo em oito
anos dos dois mandatos. Como líder de seu
partido no Senado, ele promete reapresentar ao
Congresso seu projeto que proíbe a venda de
armas de fogo em todo o País. Calheiros explicou
que pretende negociar com a bancada governista a
aprovação em caráter de urgência e já escolheu
um vilão para o caso de voltar a fracassar: um
possível lobby da indústria de armas. O senador
alagoano, havia formulado projeto semelhante
quatro anos atrás, quando era ministro da
Justiça no governo FHC. Acabou não ficando muito
tempo no cargo e, a exemplo dele, o projeto não
foi mesmo para a frente. A proposta tinha sido
apresentada em 1999 pelo então líder do governo,
senador José Roberto Arruda (PFL-DF), mas os
parlamentares não aceitaram aquele excesso de
rigor e resolveram mudar grande parte do
projeto, que acabou parando em algumas comissões
do Congresso.
Naquela época, a violência já estava muito forte
no Rio e em São Paulo, levando o governo federal
e idealizar planos de segurança que nunca saíram
do papel. Agora, um novo caso de grande
repercussão, o da estudante de enfermagem
Luciana Gonçalves de Novaes, baleada por
traficantes no campus da Universidade Estácio de
Sá, no Rio, levou o senador Renan Calheiros a
retomar a discussão. Segundo ele, não há como
resolver o problema da violência no País sem
dificultar a comercialização de armas. Trata-se,
na verdade, de um grande engano, como tenho
insistido: proibição de armas não é solução.
O texto do projeto
de lei defendido por Renan Calheiros era
bastante radical, uma vez que estabelecia que a
venda de armas poderia ser feita apenas para as
Forças Armadas, órgãos de Segurança Pública,
empresas de segurança privada e firmas de
transporte de valores, clubes de tiro e de caça,
guardas florestais, agentes de trânsito,
moradores de áreas rurais, agentes encarregados
da fiscalização ambiental e colecionadores. Ou
seja: um cidadão comum não poderia comprar um
revólver para defender-se de assaltantes que
vivem armados até de metralhadoras.
O normal seria
permitir às pessoas a compra de armas, desde que
venham a cumprir exigências básicas. No Estado
de São Paulo, o governo Mário Covas adotou em
1997 uma política de restrição da concessão de
portes de armas baseada na lei que criou o
Sistema Nacional de Armas (Sinarm) e tornou
crime o porte ilegal de armas. Segundo o
delegado Francisco de Migueli, diretor da
Divisão de Produtos Controlados (DPC) da Polícia
Civil, o número de portes concedidos caiu de 80
mil por ano para no máximo 2.500. Ele lembra
que, para requerer o porte de arma, o cidadão
deve demonstrar a necessidade real de andar
armado, além de fazer exame psicotécnico e ter
ocupação lícita.
Em princípio, nada mais válido que ser rigoroso.
O problema é que a polícia passou a dificultar
bastante a concessão dessas permissões. Enquanto
uma pessoa honesta não consegue permissão para
ter um revólver, os bandidos têm fácil acesso a
armas sofisticadas. Renan Calheiros seria útil
se buscasse verdadeiras soluções contra a
violência, em vez de pegar carona em cima da
grande repercussão de um ou outro crime de
impacto.
DESARMAMENTO:
SÓ DEMAGOGIA!
A campanha liderada pelo governo
federal para que a população brasileira fique
completamente desarmada vem encontrando forte
oposição entre algumas entidades, que,
felizmente, apontam o risco de tirar armas de
cidadãos de bem e deixar armados os inúmeros
bandidos do País. Fui contra o Estatuto do
Desarmamento desde o lançamento da idéia, ainda
no governo Fernando Henrique Cardoso, há três
anos. E, como deputado estadual que lida com os
problemas da segurança pública, alertei sobre o
perigo de retirar o direito de defesa de quem
está sujeito ao ataque de criminosos.
O governo
Luiz Inácio Lula da Silva não só estabeleceu a
proibição do uso de armas como também lançou uma
campanha ingênua, convidando as pessoas a
entregar suas armas legais às autoridades. Nos
últimos meses, milhares de revólveres foram
mesmo retirados de circulação, mas a pergunta
que se faz é esta: e as armas dos bandidos? A
resposta: os bandidos continuam armados até os
dentes.
Uma organização de São Paulo, o Movimento Viva
Brasil, com site na internet, vem recebendo
adesões do País inteiro por adotar posição
semelhante à minha, no sentido de tentar fazer o
governo voltar atrás. Um dos integrantes desse
movimento, o advogado Marcelo Pereira, argumenta
que “não chega a 5% o número de casas com armas
no Brasil, enquanto a totalidade dos moradores
da Suíça têm armas e vivem num país quase sem
crimes”. Numa democracia, os cidadãos devem
tentar impor sua vontade e combater absurdos
demagógicos.
GUARDAS DE RUA, ARMAS E SEGURANÇA
Como deputado
estadual autor de um projeto transformado em lei
de grande impacto para o combate ao crime em São
Paulo, estou lutando para superar recentes
restrições que o Poder Judiciário impõe a essa
matéria tramitada com sucesso pelos outros dois
Poderes, o Legislativo e o Executivo. Trata-se
da Lei Estadual n.º 11.275, de 3 de dezembro de
2002.
Na ocasião em que
elaborei o projeto de lei, fui bem claro: a
profissão de guarda de rua precisava ser
regulamentada, tirando da clandestinidade
milhares de vigias transformando-os em Agentes
de Segurança. Essa lei, em nenhum momento,
garante que esses profissionais poderão
automaticamente, obter porte de arma.
Regulamentar a
atividade desses abnegados baseia-se na
necessidade de uma profissão tão antiga, como a
dos guardas de rua, ganhar regras bem definidas
e reforçar o trabalho das Polícias Civil e
Militar na luta contra os criminosos, tanto na
Capital quanto no Interior e no Litoral do
Estado.
Acontece que o
Tribunal de Justiça do Estado, suspendeu a
eficácia da lei, acolhendo pedido de liminar em
ação direta de inconstitucionalidade proposta
pela Procuradoria-geral de Justiça. Com todo o
respeito que essa medida merece, concluo que
assessores daquelas instituições não leram
direito o texto da lei, a ponto de contestá-lo
desta forma. Assim, em defesa de minha proposta
e dos interesses de São Paulo, a Assembléia
Legislativa está recorrendo contra essa decisão.
LEGÍTIMA DEFESA EM
RISCO
Desgraçadamente,
no Brasil, os criminosos podem tudo... e a
população, temente às leis e pagadora de suas
obrigações e impostos cada vez mais caros, só
pode ficar mais ainda à merce da bandidagem,
haja vista que até o instituto da legítima
defesa corre sério risco.
Explica-se:
legisladores de visão totalmente caolha, alguns
até suspeitos de conivência com o crime
organizado, insistem em proibir o comércio e,
por conseqüência, o porte legal de armas no
país. Com que interesse?
É sempre bom
frisar que a legítima defesa, atualmente, é
garantida pela Constituição Federal e melhor
explicitada no Código Penal. Não obstante a
isso, os alinhados com o banditismo querem
impedir a população ordeira de, em caso de
necessidade, recorrer ao uso de arma de fogo.
Se o cerceamento
do comércio e uso de armas de fogo fossem
elementos que inibissem a violência criminal, vá
lá... Mas o que ocorre é justamente o contrário.
E São Paulo é triste exemplo disso: a partir de
1994 a expedição de portes de armas, que
anualmente era da ordem de 96 mil (informações
da Polícia) e hoje é dez vezes menor. Os índices
de criminalidade explodiram. Explicado?
Esses conceitos precisam ser reavaliados. E que
não seja, uma vez mais, em prejuízo da
população. Juízo, pessoal!!!
(Maio / 2003)
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