
O ERRO DA IMPLOSÃO DA CASA DE
DETENÇÃO
As contas já foram
feitas: se o Governo do Estado de São Paulo
realmente implodir a Casa de Detenção como
anunciou o governador Geraldo Alckmin, será
possível apurar cerca de 200 milhões de reais
com a venda daquela imensa área no Carandiru.
Em princípio,
esses 200 milhões de reais teriam grande
utilidade, pois permitiriam a construção de 30
novas cadeias. E, de acordo com as previsões do
Governo, o atual terreno da Casa de Detenção
poderia servir para a construção de edifícios ou
para um parque.
Mas, na verdade,
tudo isso está errado. O Governo do Estado
estará incorrendo em grave erro se, de fato, o
governador Alckmin levar adiante esses planos.
Começa que não é
destruindo um presídio do tamanho da Casa de
Detenção que o Governo acabará com os problemas
que afetam o sistema prisional do Estado: o
certo é tratar preso como preso, impondo nas
cadeias um regime de rigor e de disciplina.
No passado, o
então governador Mário Covas agiu de maneira
passional ao mandar derrubar a unidade da Febem
ao lado da Rodovia dos Imigrantes, acreditando
que, com aquele gesto, acabaria com as rebeliões
de menores infratores. Foi um grande engano,
como o próprio Covas chegou a reconhecer, alguns
meses depois.
Na questão da Casa
de Detenção, temos de verificar que aquelas
instalações são um sólido conjunto de prédios
com mais de 40 anos de uso e ainda em condições
adequadas para receber um grande número de
presos. Se for para desativá-la, não dará para
usar a área para a construção de edifícios
altos: a lei de zoneamento impede, assim como o
fato de ali estar perto do Campo de Marte.
Portanto, o certo é moralizar a cadeia; não
destruí-la.
Já manifestei
minha posição totalmente contrária a uma antiga
idéia desenvolvida no Governo Franco Montoro,
que o governador Alckmin está tirando da gaveta:
a desativação e implosão da Casa de Detenção
para a construção de novos presídios no Estado.
Como deputado
estadual, tenho deixado bem claro que o
governador Alckmin, embora bem intencionado,
estará cometendo um erro ao simplesmente jogar
no lixo aquele complexo de sólidos edifícios do
Carandiru. Insisto: uma vez implodidos aquele
prédios, a área não servirá mesmo para a
construção de edifícios altos de apartamentos,
diante do limite de pavimentos na região por
causa da existência do Campo de Marte ali perto.
É claro que
existem especuladores imobiliários e até alguns
políticos da Zona Norte, de conceito duvidoso,
querendo apressar o fim da Casa de Detenção em
benefício próprio.
Outra
possibilidade seria transformar aquela
gigantesca área num parque: para quê? Mais um
parque exigindo cercas para que maconheiros não
invadam as instalações?
Na verdade, se for
mesmo para desativar a Casa de Detenção e
construir pequenos presídios em municípios onde
os prefeitos estão de acordo, o melhor será
transformar aqueles prédios num imenso hospital
para tratamento de viciados em drogas para
cuidar dos próprios presos e também ex-detentos
afetados por esse terrível mal.
Apresentei um
projeto na Assembléia Legislativa propondo
exatamente isso: que a área da Casa de Detenção,
no caso de desativação do presídio, seja usada
para uma finalidade nobre, a de abrigar um
hospital para drogaditos. As drogas atingem
grande parte dos presos, que não têm como se
tratar. Implodir os prédios seria loucura.
FIM DO CARANDIRU É
SOLUÇÃO ENGANADORA
Um ano depois de
ter comandado a megarrebelião de 18 de fevereiro
de 2001 em quase 30 cadeias de todo o Estado, a
facção criminosa Primeiro Comando da Capital
(PCC) voltou a enfrentar o governo de São Paulo,
promovendo atentados a bomba na sede da
Secretaria da Administração Penitenciária e
agitando novamente os presídios. Entre domingo
(dia 17) e segunda-feira (dia 18), foram mortas
17 pessoas em unidades prisionais do Estado.
Mas, segundo o secretário da Administração
Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, as
mortes não aconteceram durante rebeliões e sim
em brigas entre facções rivais, o que o levou a
apresentar um balanço otimista.
Furukawa minimizou
a tragédia. Parece ter achado pouco 17 mortes,
num complexo estadual de 104 cadeias e 93 mil
detentos. Três detentos foram degolados em
Hortolândia após uma briga entre presos
inimigos. Outros três foram assassinados em
Sorocaba, dois morreram no Cadeião de Pinheiros,
três em Assis, um em Presidente Bernardes, dois
em Ribeirão Preto, um em São Vicente, um em
Praia Grande e outro em Jundiaí. É muito
estranha a “rotina” apresentada pelo secretário
à opinião pública.
A situação mais
tensa foi vivida no Cadeião de Pinheiros, na
Capital. O secretário salientou que não se
tratava de uma rebelião e sim de uma simples
confusão, mas, na verdade, três funcionários
foram mantidos reféns e ameaçados. Os detentos
fizeram exigências para soltar os reféns: não
foram atendidos e dois presos acabaram sendo
mortos no tumulto. Se isso não é motim, o que
poderia ser? Tal manipulação dos fatos não passa
de tentativa de iludir o governador Geraldo
Alckmin e a população do estado.
O secretário
Furukawa disse que apenas um motim foi comandado
por membros do PCC, o do Centro de Detenção
Provisória (CDP) do Belém, na cidade de São
Paulo, que chegou ao fim após quatro horas de
drama em que oito pessoas foram mantidas como
reféns e afinal libertadas. Furukawa segue o
caminho inglório de seu antecessor, o
ex-secretário João Benedicto de Azevedo Marques,
que permaneceu na pasta estadual da
Administração Penitenciária em toda a primeira
gestão do governador Mário Covas. Já em 1997,
como deputado estadual, alertei o Governo do
Estado sobre a existência do PCC, mas Azevedo
Marques não só disse que a situação nos
presídios estava “sob controle” como também
ironizou a denúncia do surgimento daquela facção
criminosa que dominaria as cadeias.
Diante de tudo
isso, fica a pergunta: vale a pena manter os
planos do Governo de acabar com o complexo
prisional do Carandiru em abril? É claro que
não. Nesta altura, o maior presídio da América
Latina tem de ser mantido e não apontado como
símbolo dessa situação de descalabro que tomou
conta da segurança pública e das cadeias do
Estado.
Fiz questão de
enviar um respeitoso ofício ao governador
Geraldo Alckmin, alertando-o para o erro a ser
cometido com a confirmação da demolição dos
pavilhões da Casa de Detenção. Foi um verdadeiro
apelo de cidadão paulista, aconselhando Alckmin
a pensar melhor e partir para outra solução.
Chegamos num ponto em que o PCC provoca até atos
terroristas, ameaçando fragilizar o Governo do
Estado com atentados a bomba contra a Secretaria
da Administração Penitenciária. Portanto, o
certo é o poder público agir com rigor contra
esses criminosos, e não destruir patrimônio do
Estado.
O DESPERDÍCIO DA
DEMOLIÇÃO DO CARANDIRU
Os presos da Casa
de Detenção de São Paulo, no Carandiru,
começaram a ser transferidos para outras cadeias
do Estado em dezembro, primeiro passo para a
completa desativação do maior e mais complicado
presídio da América Latina. Dos 7.500 presos
mantidos nos pavilhões da Casa de Detenção,
algumas centenas já ocupam celas em
penitenciárias construídas em cidades do
Interior.
De acordo com os
planos do governo estadual, estará completamente
vazia até abril, com a transferência de outros
condenados, a ser completada nos próximos meses.
O governador Geraldo Alckmin mantém, assim, a
decisão anunciada em meados de 2001, de que a
Casa de Detenção seria desativada em 2002, com a
ajuda de verbas federais para a construção de
novas cadeias em várias regiões do Estado.
O nome Carandiru
está ligado a alguns dos mais sangrentos motins
de toda a história do sistema prisional
brasileiro, entre os quais o de 18 de fevereiro
de 2001, que atingiu quase 30 outras cadeias
paulistas. Também foi na Casa de Detenção e na
vizinha Penitenciária do Estado que ocorreram
estranhas fugas em massa, com o uso de túneis.
No entanto, como
deputado estadual, eu já disse e volto a
insistir que implodir os pavilhões do Carandiru
equivale a um grande desperdício e não significa
uma solução para os problemas da violência, da
criminalidade e das prisões. A construção de
novas cadeias é bem-vinda, mas o governo
estadual tem de aprender a tratar preso como
preso, cortando privilégios que levaram ao
surgimento de facções criminosas nas cadeias.
Dois anos e meio
atrás, apresentei um projeto de lei na
Assembléia Legislativa que já tramitou por todas
as comissões da Casa e está pronto para a ordem
do dia, ou seja, para ser votado, desde 7 de
agosto de 2001. Trata-se do Projeto de Lei nº
230, de 1999, que defende a alteração de
legislação de 1993 a respeito da alienação do
imóvel em que funciona o complexo do Carandiru.
De acordo com meu projeto, a área financeira do
Governo do Estado de São Paulo ficaria
autorizada a alienar esse imóvel por dação em
pagamento de construção de vagas prisionais e
centros hospitalares para tratamento de
dependentes químicos de tóxicos ou, por compra e
venda, destinando-se os recursos específicos
para a mesma finalidade, de acordo com o valor
determinado pelos órgãos competentes do Poder
Executivo, mediante concorrência pública. O
prédio não seria implodido.
A explicação é
simples: o problema do consumo de drogas no
Estado de São Paulo tem ficado mais grave a cada
ano. Recentemente, foi aprovado na Câmara dos
Deputados, projeto de lei que acaba com a prisão
para viciados em drogas e estabelece a
necessidade de esses dependentes receberem
tratamento adequado por parte do poder público.
Levando-se em consideração que nosso Estado é de
alto risco, em termos de consumo de tóxicos,
seria bastante válido que aqueles prédios do
complexo do Carandiru revertessem em benefício
das vítimas do tóxico. A transformação em centro
gratuito de prevenção e tratamento contra o uso
de drogas seria muito mais interessante que a
transformação da área num parque.
Parques significam
lazer, vida saudável. Mas a cidade de São Paulo
já tem inúmeros deles e precisa muito mais de
centros que garantirão uma vitória na luta
contra as drogas.
AFINAL UMA CADEIA
COM JEITO DE CADEIA
O Governo do
Estado mostrou, no início de abril, ao inaugurar
o Centro de Readaptação Penitenciária de
Presidente Bernardes, no extremo oeste paulista,
vontade de finalmente colocar em prática um
estilo eficaz há muito tempo usado em países
desenvolvidos: cadeia tem de ser mesmo cadeia,
local em que criminosos, de verdade, pagam por
seus delitos. Nesse presídio, dotado de placa de
aço para impedir túneis e de equipamentos que
evitam pouso de helicópteros para resgate de
presos, existem 160 celas individuais, nas quais
os detentos podem permanecer por até 360 dias.
O edifício conta
com aparelhagem de bloqueio do uso de telefones
celulares, detectores de metais e raio X. Nos
fins de semana, cada preso pode receber só duas
pessoas, por duas horas, em condições restritas.
A entrega de alimentos e roupas será feita
apenas uma vez por mês, no hall da cadeia. Fica
proibido o uso de rádios, TVs e aparelhos
eletrônicos. Existe um parlatório para que
presos conversem com parentes e advogados com
uma separação de vidro. Não haverá contato
físico entre presos e visitantes.
Apesar disso,
nota-se que o Governo evoluiu ao lidar com
bandidos perigosos, em vez de continuar cedendo
às pressões da facção criminosa Primeiro Comando
da Capital (PCC). Registro tudo isso com
orgulho: essas providências todas estão em
projetos de lei que apresentei, há tempos, na
Assembléia Legislativa. Os mesmos recursos
contra fugas de presos estão relacionados em
documento que, com o intuito de colaborar,
enviei ao governador Geraldo Alckmin após o
grande motim simultâneo de 18 de fevereiro de
2001 em quase 30 presídios. Na ocasião,
demonstrei para ele que era preciso reagir com
energia.
Seria ótimo se
todas as cadeias espalhadas pelo Estado de São
Paulo fossem preparadas com os mesmos recursos
adotados no modelo de Presidente Bernardes. Em
Taubaté, por exemplo, existe um presídio de
segurança máxima para o qual os líderes do PCC
não querem ir: fica muito difícil fugir. Por
questões financeiras, não será com rapidez que
os presídios paulistas ganharão condições
totalmente seguras. Mas o importante é que está
havendo, da parte do governador Alckmin, vontade
de solucionar um problema que foi empurrado com
a barriga por seus assessores, como o secretário
da Administração Penitenciária, Nagashi
Furukawa. Esses assessores quiseram dialogar com
o PCC – pior ainda – não só fizeram promessas a
esses criminosos como não cumpriram o combinado,
quando o certo é deixar claro que cadeia deve
ser um lugar diferenciado, em que os criminosos
pagam por seus crimes, sem privilégios. Com
respeito e disciplina.
Agora, tenho
insistido com o governador sobre o absurdo que é
a idéia da demolição da Casa de Detenção, na
Capital. O fato de Alckmin ter adiado várias
vezes a implosão daquele complexo prisional
mostra que, pelo menos, tem havido tempo para
uma profunda reflexão sobre o assunto. Nunca fiz
segredo de minhas críticas ao estilo tucano de
conduzir a segurança pública em nosso Estado. A
criminalidade e a violência avançaram muito, nos
seis anos de governo Mário Covas e nos primeiros
meses de Geraldo Alckmin. Porém, percebe-se uma
reação positiva, em 2002. Que não seja simples
sinal da proximidade das eleições. Meu interesse
na solução desses problemas está muito acima de
questões político-partidárias: como cidadão,
exijo mais segurança para todos nós.
AFANASIO SUGERE UNIFORMIZAR
PRESOS PARA EVITAR FUGAS
Para dificultar as
fugas de presos dos presídios ou seus resgates
quando em trânsito para serem ouvidos em fóruns
ou a caminho de hospitais, o deputado estadual
Afanasio Jazadji (PFL) apresentou projeto de lei
na Assembléia Legislativa dispondo que, no
Estado de São Paulo, todos os condenados –
homens e mulheres – ostentem uniformes tipo
“macacão” na cor alaranjada e com listras
verticais, branca e preta, com 15 centímetros de
largura cada, e, obrigatoriamente, permanecerem
com as mãos algemadas e atadas a correntes em
forma de cinto, além de terem os pés presos a
tornozeleiras.
O deputado
argumenta que existem casos de presos se
apresentarem até melhor vestidos do que os
agentes penitenciários que os escoltam,
confundindo pessoas, autoridades e até
facilitando em caso de fuga.
“Estando com
vestimenta facilmente identificável, algemado e
acorrentado aos tornozelos, tenho certeza que
inibirá qualquer plano de resgate por parte de
seus comparsas”, disse Afanasio.
Afanasio concorda com a “política
de humanização dos presídios, que não deve ser
confundida com vigilância rigorosa e muito menos
displicência na remoção de presos, que pode
ajudar na sua escapada e conseqüente risco à
segurança da população”, concluiu.
AFANASIO QUER ISOLAR PRESOS DE
SUAS VISITAS
O deputado
Afanasio Jazadji (PFL) deu entrada a projeto de
lei na Assembléia Legislativa disciplinando as
visitas aos condenados do sistema prisional
paulista e até proibindo as “visitas íntimas”.
Na proposta, o
parlamentar sugere a construção de alambrados de
aço para separar os reclusos de seus visitantes,
impedindo o contato físico. Também advogados não
teriam contato direto com os clientes, pois os
chamados “parlatórios” seriam munidos de vidros
de grossa espessura e a conversação seria
através de interfones ou por orifícios.
Mesmo sabendo da
polêmica das propostas, Afanasio acredita no
“bom senso das autoridades do setor e no
acatamento dessas idéias, até porque os
condenados, que antes nas suas rebeliões
agarravam apenas funcionários do sistema, agora
passaram também a tomar como reféns os próprios
familiares em dias de visita”.
Jazadji vai mais
longe: “temos que acabar com a promiscuidade que
é a visita conjugal, criada através de uma
resolução e que só têm acarretado em
desassossego para detentos fracos que são
obrigados a ‘entregar’ mulheres e filhas para
chefões de grupos dentro da cadeia, caso
contrário, morrem”.
Funcionários do sistema prisional
paulista concordam e até incentivaram o deputado
na elaboração do projeto.
AFANASIO DIZ QUE
GOVERNO ACATA
SUA IDÉIA DE
ESTÍMULO DE PRESOS A
ESTUDAR PARA REDUZIR PENAS
O deputado
estadual Afanasio Jazadji, do PFL, festeja a
decisão do Governo Estadual de propor redução de
penas de presos para que estes estudem nos
presídios. Já em junho, Afanasio havia defendido
junto ao Congresso Nacional agilidade para a
discussão sobre o Código Penal e a Lei de
Execuções Penais. Ele apresentara à Assembléia
Legislativa de São Paulo, uma Moção que acabou
sendo dirigida aos presidentes do Senado,
Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara
dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), em
Brasília, defendendo mudança na Lei de Execuções
Penais, de âmbito federal, que venha a
incentivar a prática de estudos por parte de
presos que cumprem penas nos sistemas
penitenciários de todo o País. Afanasio
argumenta que já existe estímulo legal à prática
do trabalho nas cadeias e vê necessidade de esse
incentivo passar também para o campo da educação
básica e dos cursos técnicos ou
profissionalizantes. Ele explica que, por meio
dos estudos, os detentos terão melhores
perspectivas para conseguir emprego na ocasião
de ganhar a liberdade. Algo deixa o deputado
intrigado: “O Governo Covas copia minha idéia e
sonega isso da opinião pública, praticando
verdadeira pirataria política”.
(2000)
ENFIM, LIMITES
PARA A PRISÃO ESPECIAL
O presidente
Fernando Henrique Cardoso sancionou a lei
10.258, que finalmente acaba com privilégios da
prisão especial e faz com que determinados
criminosos de casaca sintam também o peso de
seus atos. Esse tema voltou à discussão da
opinião pública e dos parlamentares quando da
detenção do juiz aposentado Nicolau dos Santos
Neto, que, depois de ter ficado foragido por
mais de seis meses, entregou-se e ficou numa
verdadeira cela de luxo das instalações da
Polícia Federal em São Paulo. De fato, foi
chocante o simples fato de um homem acusado de
desviar mais de R$ 200 milhões das obras do
Fórum Trabalhista de São Paulo ter sido poupado
pelo ministro da Justiça, José Gregori, de ser
mostrado à imprensa, de usar algemas e de ser
tratado como um preso comum.
De acordo com a
nova lei federal, determinadas pessoas,
principalmente as que têm diploma de cursos
universitários, ganham direito à prisão
especial, mas esse tipo de prisão especial
exclui, por exemplo, o acesso a aparelhos
individuais de TV e a refeições de melhor
qualidade. Antes tarde do que nunca: estava
mesmo na hora de serem enquadrados no rigor da
lei os bandidos do tipo do Lalau. No entanto,
quero lembrar que, como deputado estadual, tenho
insistido há muito tempo para que o Estado de
São Paulo seja mais rigoroso também contra os
criminosos de colarinho-branco. Além disso, após
a grande série de motins em presídios paulistas,
em 18 de fevereiro, enviei ao governador Geraldo
Alckmin um ofício com 18 sugestões de mudanças
nas cadeias como prevenção contra rebeliões. Um
dos tópicos era exatamente o fim das tomadas
elétricas nas celas, para que presos não tenham
acesso a TVs e outros aparelhos eletrônicos.
Cadeia tem de ser cadeia mesmo.
CPI DO SISTEMA
PENITENCIÁRIO
A Assembléia
Legislativa do Estado de São Paulo instalou, no
fim de maio, mais uma CPI, uma importante CPI, a
que já começou a discutir o Sistema Prisional.
Como se sabe, as
penitenciárias e cadeias de nosso Estado passam
por crise antiga, que se agravou em seis anos
do Governo Mário Covas: existe superpolução, mas
também existe, acima de tudo, um estilo frouxo
do governo para lidar com quem cumpre pena.
O resultado dessa
confusão, todos sabem: uma série interminável de
motins, em que os bandidos desgastam a
autoridade do Governo e destroem presídios.
O exemplo mais
concreto ocorreu em 18 de fevereiro, quando das
rebeliões em quase 30 presídios de nosso Estado,
em que os líderes dos motins usaram livremente
telefones celulares para se comunicarem e para
agir simultaneamente.
Por que se
passaram três meses entre as rebeliões de
fevereiro e o momento da instalação da CPI do
Sistema Prisional, em maio? Porque o Poder
Legislativo esperou o Executivo agir e, agora,
trata de impor uma colaboração assegurada pela
democracia.
No Executivo, o
atual governador, Geraldo Alckmin, herdou
problemas deixados pelo seu antecessor, que, na
área da Segurança Pública e do Sistema
Prisional, não tomou as decisões certas nos
momentos certos: com isso, os bandidos do
chamado Primeiro Comando da Capital, o PCC,
tomaram conta dos presídios.
Como deputado estadual, faço parte dessa nova
CPI e já estou lutando, ao máximo, para ajudar a
Assembléia Legislativa a fazer o que o Governo
do Estado não fez em seis anos: enfraquecer o
poder dos bandidos nas cadeias que ficaram
desmoralizadas.
PRESO PAGA COM
TRABALHO
O governador
Geraldo Alckmin tomou a decisão de enviar para a
Assembléia Legislativa do Estado projeto de lei
propondo que condenados presos paguem, por meio
de seu próprio trabalho, não só as despesas
tidas pelo Estado por sua manutenção na cadeia
como também indenizem as vítimas ou seus
familiares por crimes pelos quais estão sendo
punidos. Com meus 38 anos de experiência nas
questões de segurança pública e do sistema
prisional, sendo 16 anos como deputado estadual,
posso garantir que a medida do Poder Executivo é
bastante válida e só precisa ser discutida
amplamente na Assembléia Legislativa, onde
encontrará alguma resistência.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos,
disse recentemente que, quanto mais bandidos são
presos, mais bandidos aparecem, e não há cadeias
suficientes para abrigar todos os condenados.
Que essa declaração não seja vista como uma
tolerância ao crime: cadeias têm de existir
sempre e precisam ser multiplicadas para abrigar
criminosos extremamente violentos. No entanto, a
proposta do governador Alckmin surge como uma
luz no fundo do túnel. Presos devem trabalhar,
sim. E, por meio do seu trabalho, pagar sua
“hospedagem” nos presídios e também indenizam as
suas vítimas ou os familiares delas.
É tudo uma questão
de organizar e de estabelecer cifras. Não venha
a surrada “turminha dos direitos humanos” alegar
que trabalho fere direitos de criminosos.
Trabalho não mata ninguém. Aqueles bandidos que
praticaram crimes hediondos também podem
trabalhar, mas sempre sob a máxima vigilância.(Maio
/ 2003)
CADEIA DURA É SÓ
PROMESSA
A reclamação de governadores
contra a falta de ação do governo federal para
tentar combater a violência e o clima de tensão
social das últimas semanas foi muito bem
representada pelas palavras de Geraldo Alckmin,
de São Paulo, no feriado de 21 de abril. Ele
disse publicamente que “a situação é grave
porque, além do tráfico de armas e de drogas, da
lavagem de dinheiro e do desemprego, existe a
questão penitenciária”, lembrando que o governo
federal não age de modo concreto para a
construção de presídios de segurança máxima em
vários Estados.
Segundo o governador paulista,
São Paulo não recebeu um só centavo dos fundos
constitucionais previstos para a área de
segurança.
A situação assume extrema
gravidade, se levarmos em conta que os bandidos
continuam agindo impunemente em nosso Estado,
por meio de inúmeros assaltos, seqüestros e
homicídios, enquanto o Rio de Janeiro vive um
verdadeiro caos de guerra civil.
Quando o maior bandido do Rio,
Fernandinho Beira-Mar, foi transferido para o
presídio de Presidente Bernardes, no Interior de
São Paulo, há mais de um ano, o ministro da
Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que se
tratava de uma solução provisória e que logo
seriam construídas, em várias regiões do País,
cadeias de verdade, com cadeado. O tempo passou,
Beira-Mar permanece confinado em território
paulista, e então pergunto: onde estão os
prometidos “novos presídios”? Não saíram do
papel. Promessas de nítido estilo demagógico,
numa época em que precisamos de medidas
enérgicas.(Abril / 2004)
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