
PALAVRA DE
BANDIDO VALE MAIS?!
O PCC está em
festa: o crime está conseguindo novas vitórias
até no âmbito da Justiça. O procurador-geral de
Justiça do Estado de São Paulo, Luiz Antônio
Guimarães Marrey, pediu ao Tribunal de Justiça a
instauração de inquérito contra o secretário da
Segurança Pública, Saulo Abreu, e os
juízes-corregedores Otávio Augusto Machado de
Barros Filho e Maurício Lemos Porto Alves. O
objetivo, segundo Marrey, é apurar a
responsabilidade dos três nas possíveis
ilegalidades cometidas pelo Grupo de Repressão e
análise dos Delitos de Intolerância (Gradi), que
incluem suspeitas de tortura, infiltração de
presos em quadrilhas e a execução de 12 bandidos
numa operação policial junto ao pedágio da
Rodovia Castelinho, na região de Sorocaba, em 5
de março.
O corregedor-geral
de Justiça, desembargador Luiz Tâmbara, anunciou
o afastamento dos juízes-corregedores: Otávio
Barros Filho, dos Presídios, Porto Alves, do
Departamento de Inquéritos e Polícia Judiciária.
O Tribunal alega que o motivo da troca dos
magistrados é garantir a investigação e
preservar a Justiça do Estado. O secretário da
Segurança, Saulo Abreu, está “indignado” com as
acusações contidas na carta do preso Ronny Clay
Chaves, divulgada pela Seção São Paulo da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB-SP), com apoio de
vários juristas. “Fui Surpreendido com essa
carta à qual não tive acesso. A primeira coisa é
um sentimento pessoal de indignação. Não posso
ter outro”, disse ele.
Só para lembrar:
esse caso em questão teve todo o apoio da
opinião pública, pois, pela primeira vez nos
últimos anos, a polícia obteve uma grande
vitória contra os bandidos: esses criminosos
enfrentaram os policiais da PM a bala e 12 deles
acabaram morrendo.
A notícia de que
os dois juízes corregedores da Polícia foram
removidos e o secretário da Segurança Pública
ficou pressionado provocou uma verdadeira festa
entre os integrantes da facção criminosa
Primeiro Comando da Capital (PCC): trata-se de
uma nova vitória do crime contra a justiça e
contra os cidadãos. Uma carta de um preso que
teria atuado como espião da polícia, foi
divulgada pela Ordem dos Advogados do Brasil,
sustentando que o confronto entre a PM e
bandidos no pedágio da Rodovia Castelinho, no
qual foram mortos 12 assaltantes ligados ao PCC,
foi execução sumária, sob autorização do
secretário Saulo Abreu.
A OAB exigiu
providências, assim como vários membros da
famigerada “turma dos direitos humanos dos
bandidos”. Estão aí as providências: remoção dos
juízes, punição para quem não merece. Respeitam
muito a palavra de um preso condenado a mais de
20 anos de prisão, enquanto a Polícia tenta
reduzir o drama de uma população acuada. As
autoridades ficam acovardadas, diante de tanta
falta de bom senso. No PCC, nesta altura, ocorre
uma grande comemoração.
A população do
Estado não pode assistir passivamente a esses
absurdos. A cada dia, temos novos casos de
violência contra cidadãos de bem: assaltos,
seqüestros, homicídios... Em vez de a “turma dos
direitos humanos de bandidos” pensar nas vítimas
de seus protegidos, a ação acaba sendo contra a
polícia que persegue esses malfeitores. Onde
vamos parar?
(8/08/2002)
COMANDO VERMELHO
NOS MORROS
Extremamente grave
o ocorrido há dias no morro do São Bento, onde
bombeiros foram impedidos de atender a uma
chamada para apagar incêndio por traficantes que
sentiram que “seu negócio” seria atrapalhado.
Prática comum em
locais onde o poder público não se faz presente
em áreas fundamentais como saúde, segurança e
educação, sabemos que o crime organizado se
impõe desse jeito.
Há pouco mais de
um ano, agentes policiais a serviço da CPI do
Crime Organizado em tramitação na Assembléia
Legislativa foram recebidos à bala em favela de
São José dos Campos, porque ali o famigerado
“Comando Vermelho” dominava e até distribuía
cestas básicas à população carente, para
angariar a sua simpatia e conivência.
Creio ser hora de
uma meticulosa e urgente operação conjunta das
polícias Civil e Militar de Santos para debelar
esse foco mafioso nos morros, identificando e
prendendo os seus líderes.
Não podemos
permitir que o crime organizado monte, a partir
da Baixada Santista, o governo paralelo que de
há muito instalou no Rio de Janeiro.
SEM BEIRA-MAR, MAS
COM O PCC
O megatraficante
carioca Fernandinho Beira-Mar foi afinal
retirado do Estado de São Paulo, em 27 de março,
depois de ter permanecido quase um mês no
presídio de segurança máxima de Presidente
Bernardes. Alívio apenas em parte: ficamos sem
Beira-Mar, mas ainda temos o PCC. O recente
assassinato de dois juízes, em Presidente
Prudente (SP) e em Vila Velha (ES) mostra que o
crime organizado continua forte e ousado no
País. A morte do juiz Antônio José Machado Dias,
em Presidente Prudente, chocou todo o Brasil.
Logo depois, foi morto no Espírito Santo o juiz
Alexandre Martins de Castro Filho.
Rio, Espírito
Santos e São Paulo são casos diferentes de
violência. Fui o primeiro a alertar as
autoridades paulistas, já em 1997, sobre o
surgimento da facção
criminosa
Primeiro Comando da Capital (PCC). Em seis anos,
multiplicou-se a criminalidade.
Como deputado
estadual, presidi a CPI que investigou o crime
organizado no Estado de São Paulo, de 1995 a
1999. Então, graças a informações sigilosas,
fiquei sabendo da existência do PCC, que já
começava a atormentar os presídios paulistas.
Denunciei tudo
ao Governo do
Estado e até publiquei o estatuto do PCC, no
Diário Oficial, mas nada foi feito pelos
assessores do governador Mário Covas. Eles
simplesmente ignoraram as denúncias.
O secretário da Administração Penitenciária do
primeiro mandato de Covas, João Benedicto de
Azevedo Marques, ao receber minhas denúncias,
não deu a mínima importância: respondeu que
estava “tudo sob controle”. Naquela época,
quando houve uma
rebelião numa
cadeia de Sorocaba e os presos mostraram a
bandeira do PCC, o secretário disse que era
bandeira de escola de samba. Deixaram o PCC
crescer, e a população é que “dança”.
CADEIAS,
LEIS E CONFUSÕES DO GOVERNO
Enquanto o brasileiro Marco
Archer Cardoso Moreira, de 42 anos,
pára-quedista do Rio de Janeiro, condenado à
morte na Indonésia como traficante de cocaína,
apela à Justiça contra o risco de ser executado
por um pelotão de fuzilamento, o Brasil convive
com traficantes, seqüestradores e assassinos que
continuam em liberdade, ameaçando inúmeras
famílias de trabalhadores. Se a Indonésia,
situada do outro lado do mundo, não é um
verdadeiro padrão de democracia e de progresso,
qualquer pessoa de bom senso sabe que punições
exemplares ajudam a reduzir a criminalidade. Por
culpa da demagogia e da incompetência de
determinados integrantes do governo brasileiro,
vivemos um momento de seguidas trapalhadas em
torno de leis e prisões para punir bandidos que
cometem crimes graves.
O ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos, em discurso infeliz, disse
recentemente que o País precisa rever a Lei do
Crime Hediondo porque as cadeias estão lotadas.
Ora... Mudar a lei, do jeito que ele propõe, é
tornar a punição mais suave e, portanto,
libertar um monte de assassinos. As cadeias
estão lotadas? Então, que o governo trate de
construir outras. O que não pode acontecer é
dar, a bandidos extremamente cruéis, um prêmio:
a liberdade.
Tolerância em relação a
criminosos é algo que tem caracterizado os
defensores de direitos humanos que só se lembram
de proteger os bandidos e não das vítimas. Antes
na oposição, eles agora estão no poder. Dá medo!
OPERAÇÃO DE GUERRA PARA BEIRA MAR
Como pode
acontecer, no País, tudo isso que vimos em 27 de
fevereiro de 2003? Esse dia vai entrar para a
História como aquele em que o Brasil parou para
acompanhar a transferência do mais perigoso
bandido carioca para o presídio paulista de
maior segurança. Até o presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, deixou de lado
importantes tarefas, como relacionamento com o
Congresso, os planos de reforma da Previdência,
o combate à inflação, as ações para evitar
seqüelas da guerra dos Estados Unidos contra o
Iraque, a luta contra o desemprego, o programa
Fome Zero, e chegou a ter uma reunião com o
ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para
discutir o futuro de Fernandinho Beira-Mar.
O criminoso
carioca, que desafiou as instituições e passou a
comandar, direto de sua prisão, pelo telefone
celular, ataques de traficantes à população
indefesa do Rio, acabou sendo transportado para
o presídio de Presidente Bernardes, no Interior
de São Paulo, numa operação espetaculosa.
Louve-se a atitude do governador paulista,
Geraldo Alckmin, de dar uma contribuição para
atenuar o problema do Estado vizinho, vítima
constante da máfia das drogas e dos maus
políticos.
No entanto,
está na hora de o Brasil restabelecer a
autoridade pública e devolver a tranqüilidade à
população. E é um absurdo todo esse carnaval em
torno de um facínora, uma situação que abre a
possibilidade de o crime ser glamourizado, como
em tantas outras situações parecidas. O crime
não compensa, mas temos de convencer nossos
cidadãos – principalmente os jovens – sobre
isso. Nesse ponto, todos deveriam pensar melhor
sobre seu papel, inclusive a Imprensa, o rádio e
a TV.
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