O PESO DA PENA DE MORTE

A pena de morte voltou à discussão nas últimas semanas, no Brasil, ao serem divulgadas notícias de execuções de condenados em dois países situados em pontos opostos: os Estados Unidos e a China. Nesses países, ao contrário do que ocorre por aqui, existe a pena de morte contra os que cometem os chamados crimes hediondos: o acusado é preso, julgado, condenado e executado. Isso aconteceu, por exemplo, com um condenado no Estado americano da Flórida,  Allen Lee Davis, que foi executado em julho numa nova cadeira elétrica no austero presídio de Starke.

Neste caso, ocorreu uma grande polêmica nos Estados Unidos porque a cadeira elétrica apresentou problemas técnicos e o condenado demorou cinco minutos para morrer. Surgiram os habituais protestos dos movimentos contrários à pena de morte, mas também apareceram os que só defendem uma futura troca da cadeira elétrica por outro sistema de execução de condenados, a injeção letal, usada em outros estados.

O sofrimento do condenado na cadeira elétrica da Flórida provocou pena em muitas pessoas. Porém, uma boa parte da opinião pública procurou afastar esse sentimento, lembrando as dimensões do crime que levou o júri a condenar o réu: em 1982, aquele homem matou cruelmente uma mulher grávida e as duas filhas dela, de 5 e 10 anos.

O governador da Flórida, Jeb Bush, que é católico, defendeu a execução, afirmando: “Minha sincera esperança é de que a utilização da pena de morte envie um forte sinal de que o povo da Flórida não tolerará o assassinato de inocentes”. Bush, filho do ex-presidente americano George Bush, é candidato à presidência dos Estados Unidos e não tem medo de expor seu ponto-de-vista, como cidadão e como católico. Essa posição é respaldada por muitas outras pessoas em seu país.

Outro caso aconteceu recentemente na China: no mesmo dia, em várias regiões do país, foram executados 71 traficantes de drogas condenados à morte. Cada condenado recebeu um tiro na nuca. E não houve protestos. Na China, assim como no Japão, o tráfico de drogas é considerado crime hediondo, sujeito à pena de morte. Aliás, as pesquisas mostram que as drogas quase desapareceram no Japão, depois de ter sido estabelecida a pena de morte para traficantes. Algo parecido ocorre na Malásia. O governo chinês age com rigor porque teme o efeito da influência negativa da Tailândia, onde os tóxicos são tolerados.

É o caso de se refletir: esse tipo de castigo não ajuda a sociedade a evitar o surgimento de novos criminosos, que matam inocentes?

Como cidadão, como jornalista e deputado estadual, tenho defendido a introdução da pena de morte no Brasil. Também sou cristão, mas percebo que, num país em que a criminalidade avança de modo impressionante, é preciso aplicar um castigo exemplar a determinados criminosos. O seqüestro seguido de morte, por exemplo, está entre os crimes mais deploráveis. No entanto, são comuns os casos de seqüestradores que saem da cadeia depois de alguns anos e voltam a cometer crimes.

A impunidade é o maior incentivo ao crime. O Brasil possui problemas sociais, sim, mas esses problemas não justificam a crueldade de determinados bandidos.


A PENA DE MORTE FAZ FALTA

Uma pesquisa de opinião pública feita na cidade de São Paulo pelo Instituto Brasmarket, em outubro, levou a uma conclusão incontestável: a maioria dos paulistanos já é a favor da adoção da pena de morte no Brasil como fórmula para reduzir os índices de criminalidade. Foram ouvidas pouco mais de 2 mil pessoas, homens e mulheres de todas as classes sociais, dos 16 anos de idade em diante, e o resultado foi este: 38,6% são claramente a favor da pena de morte, 28,5% admitem esse tipo de punição só para determinados casos e apenas 27,8% rejeitam por completo a execução de criminosos.

Essa conclusão chegou a surpreender alguns veículos de comunicação, que dedicaram espaço ao assunto nas últimas semanas, procurando ouvir também a opinião de alguns juristas e de parentes de vítimas de crimes violentos em São Paulo.

Para mim, entretanto, esse resultado da pesquisa não é surpresa. Além de ser deputado estadual há 13 anos, tenho mais de 30 anos de experiência como jornalista e radialista no contato direto com questões da segurança pública e da criminalidade. Entendo que, numa época como esta que o Estado de São Paulo vive, é normal que a população, acuada pelos bandidos, diante da inércia da polícia, passe a reivindicar a introdução da pena de morte. Se deu certo em alguns Estados americanos para reduzir a violência e se ajudou o Japão a acabar com o tráfico de drogas, por que o Brasil não segue o exemplo?

“Não matarás”, diz a lei de Deus. A Bíblia, no entanto, ensina também que deve haver castigo rígido para quem comete crimes, especialmente para quem desobedece a determinação “não matarás”. Tirar a vida de quem mata é proteger a sociedade sadia.

Alguns juristas filósofos, entre os quais o ministro da Justiça, José Carlos Dias, são absolutamente contrários à pena de morte para criminosos, mas toleram que esses bandidos sejam carrascos da população. Em geral, são teóricos de formação cristã e que gostam de citar a necessidade de preservação dos direitos humanos, porém, geralmente muito mais preocupados com as condições de conforto do cárcere reservado aos delinqüentes do que na situação de uma família que chora a morte de um pai assassinado num assalto.

Os que condenam a pena de morte costumam falar muito em democracia, em respeito ao desejo da maioria. A pergunta que eu faço é a seguinte: por que não respeitar o clamor dessa população que hoje em dia exige a pena de morte? É claro que uma simples pesquisa de opinião pública é insuficiente para levar os três Poderes da União a introduzir tal tipo de castigo para os condenados em julgamentos por crimes chocantes, como, por exemplo, seqüestro seguido de morte. No entanto, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, é possível aproveitar uma eleição, como a que teremos em 2000, para também fazer um plebiscito, em que a população seria consultada sobre tema de tamanha importância. A pena de morte deveria entrar em pauta.

Muitos do que teimam em ser contrários à pena de morte lembram a possibilidade de ser cometido um erro judiciário e, com isso, perder a vida um inocente. Isso é conversa fiada, já que esses equívocos são muito raros. Um criminoso só deve ser executado depois de ter passado por um julgamento em que houve chance de defesa e foram oferecidas provas irrefutáveis. O Brasil está em tempo de refletir sobre isso.


POR QUE DEFENDO A PENA DE MORTE

A discussão sobre a validade ou não do uso da pena de morte no Brasil tem dividido a sociedade e as instituições, mas jamais escondi minha posição: sou a favor desse tipo de punição contra os que praticam crimes hediondos, cruéis. Deixo bem claro que não defendo o linchamento, a justiça com as próprias mãos, e sim o castigo a quem fez um grande mal, sendo submetido a julgamento, com amplo direito de defesa. Aquele que mata pessoas inocentes, recorrendo a requintes de perversidade, merece ser banido, executado. Além de tudo, esse tipo de castigo serve de exemplo, atemorizando criminosos em potencial.

Em nosso País, na verdade, a pena de morte já vem sendo aplicada todos os dias, principalmente nas ruas de São Paulo: é só abrir os jornais e ler o último caso de mulher ou homem assassinado num semáforo por assaltantes que não respeitam a vida. Portanto, hoje, os bandidos possuem o monopólio da pena de morte no Brasil. Eles não usam câmara de gás ou cadeira elétrica, nem mesmo a forca ou a injeção letal: apelam para o revólver, sob o pretexto de que precisam roubar porque são vítimas da crise social. Roubar para matar a fome também significa o direito de matar um pai de família, uma mulher indefesa? Eles já não poupam mais ninguém: só pena de morte para contê-los.

Os criminosos que saem liquidando por aí acabam ficando em liberdade por causa da fragilidade do poder das autoridades, da ineficácia da polícia e das limitações das leis. Esses bandidos têm legítimos defensores nos parlamentos, nas igrejas, no crime organizado. Advogados são contrários à pena de morte, pois, uma vez aplicado esse tipo de castigo, eles perderiam boa parte de sua clientela. Preferem defender direitos humanos para bandidos.

A pena de morte objetiva acabar – e acaba mesmo – com os criminosos violentos, com os assassinos contumazes, com máfias de traficantes de drogas, com inimigos da sociedade. No Japão, caiu incrivelmente o número de casos de tráfico de cocaína e de heroína, depois de a legislação do país ter introduzido a pena de morte para traficantes. Nos Estados Unidos, ainda há quem defenda o fim das execuções, mas não foi à toa que George W. Bush, um dos mais ferrenhos defensores da pena de morte quando governador do Texas, foi eleito presidente. A sociedade americana, por sinal, chocada com o atentado de Oklahoma, que matou mais de 150 pessoas, entre as quais várias crianças, aprovou a execução federal federal do criminoso confesso, Timothy McVeigh, por injeção letal, em Indiana.

A filosofia difundida pelo respeitado escritor francês Montesquieu (1689-1755) permanece atual e ajuda a nortear minha tese sobre esse tema: “Um cidadão merece a morte quando violou a segurança, a ponto de ter eliminado a vida. Esta pena de morte é como um remédio para a sociedade doente”.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), escritor suíço que viveu na França, costumava dizer que “o homem é naturalmente bom, mas sua bondade foi corrompida pela sociedade”. Rousseau escreveu: “A prática do crime é uma violação do contrato social. Contra essa violação, tem a sociedade o direito de defender-se, matando seus inimigos.”

Hoje, mais de dois séculos depois as lições de Montesquieu e de Rousseau, temos um mundo de constantes distorções. E, no Brasil, não há nada mais distorcido que a tolerância diante do crime. Que haja pena de morte, sim: para os bandidos, não para suas vítimas.


PENA DE MORTE TEM APOIO EM TODO O PAÍS

Já não há dúvidas de que, diante do crescimento da violência e da criminalidade, a opinião pública impõe o bom-senso. Uma pesquisa realizada nas principais capitais e grandes cidades do País, entre os meses de julho e agosto, mostrou que 87,9% dos brasileiros são favoráveis à redução da idade penal de 18 para 16 anos. Eles defendem, portanto, alterações na Constituição Federal e no Código Penal, para que adolescentes de 16 ou 17 anos de idade autores de violência paguem por seus crimes na cadeia.

A pesquisa foi feita pela Toledo & Associados, que ouviu 3.100 pessoas. Francisco Toledo, diretor da empresa de pesquisas, explica que a aprovação da redução da idade penal aparece em todas as variáveis controladas, todas com índices de aprovação superior a 85%. Na Região Centro-Oeste, houve o maior índice de defensores da redução: 91,2%. No Norte, foram 86,5%; no Sul, 88,2%; e no Sudeste, 88,7%. No Nordeste, o número de entrevistados que concorda com a proposta atinge 85,9%.

Diante da pergunta sobre a validade da pena de morte para crimes graves, a pesquisa mostrou que 57,5% dos brasileiros apóiam a tese; 36% são contrários, 1,7%, indiferentes, e 4,8% não tem opinião. A região com maior índice favorável é o Sul, com 69,3%.

No entanto, o apoio à pena de morte é também expressivo na Região Sudeste, onde as cidades de São Paulo, Campinas, Rio e Belo Horizonte sofrem com a criminalidade. Na verdade, a população do País ficou cansada de tantos crimes e de tanta impunidade. Nos últimos anos, fracassaram todos os planos de segurança. Somente com uma polícia eficaz e com penas mais duras, entre as quais a pena de morte, será possível derrotar o crime.

Determinados juristas de bom-senso admitem que a população brasileira tem bons motivos para agir assim, numa pesquisa. Outros, porém, buscam explicações diferentes. O jurista Luiz Flávio Gomes, doutor em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madri e mestre em Direito Penal pela Universidade de São Paulo (USP), explica: “As pessoas respondem de forma emocional, pois vivem acuadas pelo crescimento da violência. Para ele, o resultado desse levantamento da Toledo & Associados é ainda um reflexo de uma sociedade civil desorganizada: “As pessoas não agem na base do problema, a desigualdade social, a falta de educação e saúde causada pela ausência do Estado, e pedem uma solução que parece ser fácil e imediata.’”

Para Roberto Podval, presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim), entidade de mais de 4 mil advogados, magistrados, membros do Ministério Público, professores e sociólogos, a pesquisa revela que a população do País precisa de uma resposta: “A redução da maioridade penal não é solução, mas uma visão simplista e equivocada.” Ele admite que o cenário atual é reflexo da falta de ação do governo federal. “Foram oito ministros da Justiça em oito anos”, lembra Podval.

Uma vez que o Brasil terá novo presidente da República e alguma renovação na Câmara dos Deputados e no Senado, espera-se, pelo menos, uma discussão séria sobre a possibilidade de se adotar medidas mais duras contra o crime. Como deputado estadual, nestes últimos 16 anos, não venho abrindo mão da tribuna da Assembléia Legislativa de São Paulo para exigir segurança de verdade, em vez da poesia de direitos humanos de bandidos.


POVO PEDE PENA DE MORTE

 A pena de morte, que existe em vários países, deve ser introduzida no Brasil, segundo a maioria do povo. Uma pesquisa de opinião pública sobre o grau de aprovação da pena de morte foi divulgada recentemente e teve resultado histórico. Esse levantamento, feito pelo Instituto Sensus, por iniciativa da Confederação Nacional dos Transportes, lançou a pergunta: a pena de morte é a forma ideal de punição para bandidos que cometem crimes hediondos no Brasil?

Acontece que, pela primeira vez nos últimos anos, esse tipo de pesquisa revelou que a maioria da população do País já é a favor da pena de morte. Pesquisadores estiveram em 195 cidades de quase todos os Estados, ouvindo 2 mil pessoas, de 14 a 21 de fevereiro, e o número de pessoas a favor da pena de morte chegou a 54,1%.

O índice dos que insistem em ser contra esse tipo de castigo é agora 41,6%, portanto bem abaixo dos que se manifestam a favor da pena capital, Convém ressaltar que, cinco meses antes, no mês de setembro do ano passado, o porcentual de opiniões contrárias à pena de morte ainda era maior: 48,2% contra 44,9%.

Os últimos casos chocantes de violência e criminalidade em quase todas as regiões, principalmente no Estado de São Paulo, mexeram com o País. Os cidadãos ficaram saturados da impunidade e da falta de autoridade. Eles exigem atitudes mais drásticas.

Os meios de comunicação contribuem para isso, uma vez que jornais, revistas, rádios e TVs focalizam diariamente episódios de violência ocorridos até mesmo em cidades anteriormente tranqüilas. A população tornou-se refém dos bandidos.

Fico aliviado e encorajado pelo fato de a pesquisa mostrar que a maioria pensa assim. Como deputado estadual especialista em questões de segurança pública, tenho sido um defensor da instituição da pena de morte no Brasil. Por isso, cheguei a sofrer críticas. Agora, porém, vejo que a maioria dá razão à minha tese: a tese de quem quer acabar com a violência criminal. Pelo que se pode perceber, aquele pessoal protetor dos direitos humanos dos bandidos passa a falar sozinho. Certamente, quando alguém fizer nova campanha para libertar seqüestradores, como aconteceu no caso da quadrilha que manteve o empresário Abílio Diniz em cativeiro, o apoio será nulo.

O Estado de São Paulo, que já apresentava crescimento dos índices de violência e criminalidade, vive uma época de seguidos crimes chocantes. Além do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, por seqüestradores, e da morte da dona de casa Rosana Melotti em Campinas, houve uma seqüência de outros seqüestros, como o do publicitário Washington Olivetto, a fuga de dois bandidos num helicóptero no presídio de segurança máxima de Guarulhos e novos motins em cadeias. Qual a solução?

Tenho insistido que a autoridade precisa ser exercida com firmeza. O castigo tem de ser imposto de forma exemplar. Cadeia tem de ser cadeia de verdade, de segurança máxima, para evitar fugas e privilégios como os verificados em São Paulo.

Para determinados crimes, por que não a pena de morte, como ocorre nos Estados Unidos? Há quem levante a tese de que o homem não deve tirar a vida de outro homem. Mas o que fazer com bandidos que já impuseram a pena de morte para pessoas de bem?


O TERRORISMO E A PENA DE MORTE

Os Estados Unidos estão longe de ser um país perfeito e uma sociedade sem risco de injustiças, mas as discussões em torno da execução do terrorista Timothy McVeigh, autor do atentado a bomba que matou 168 pessoas em Oklahoma City, oferecem uma lição.

Como país democrático, os Estados Unidos debatem nas esferas legais a validade ou não da pena de morte, que existe em vários Estados americanos, entre os quais o Texas, do presidente George W. Bush, e Indiana, onde foi programada a execução de McVeigh.

Desta vez, trata-se de uma execução federal e não estadual: algo que não ocorria desde 1963. Isto porque a opinião pública está de acordo a respeito do castigo exemplar. Mesmo os maiores defensores do fim da pena de morte admitem que o crime de McVeigh não deveria ser punido com uma simples permanência na prisão: esse homem acabou confessando ser o responsável pela morte daquelas pessoas, inclusive dezenas de crianças.

No Brasil, sempre que alguém defende a aplicação de pena de morte contra crimes hediondos, acaba sendo tachado de extrema direita. Mas, por outro lado, existe gente sensata que verifica o fato de os Estados Unidos, um país tão adiantado, aplicar a pena de morte contra criminosos que agem do jeito que McVeigh agiu.

E mais: a China, que não está nada à direita, uma vez que continua um país comunista, andou executando 250 pessoas condenadas em apenas três semanas. Quer dizer que, para os tais defensores de direitos humanos... a China pode, mas os Estados Unidos e o Brasil não podem? Ora... Cada vez que um terrorista é executado, fica o exemplo para terroristas em potencial. Aqui, temos a guerrilha urbana dos assaltantes. Isso pode?


ARGUMENTOS PELA PENA DE MORTE

Vamos analisar agora a polêmica da execução do criminoso de Oklahoma, nos Estados Unidos, e as discussões sobre a possível adoção da pena de morte no Brasil.

A pena de morte objetiva acabar – e acaba mesmo – com os criminosos violentos, com os assassinos, com máfias de traficantes de drogas, com inimigos da sociedade.

Nos Estados Unidos, ainda existe quem defenda o fim das execuções, mas não foi a toa que George W. Bush,  ferrenho defensor da pena de morte quando governador do Texas, ganhou a eleição para presidente. A sociedade americana, chocada com o atentado de Oklahoma, que matou mais de 150 pessoas, entre as quais muitas crianças, aprovou a execução federal do criminoso confesso, Timothy McVeigh, por injeção letal, em Indiana.

A filosofia difundida pelo respeitado escritor francês Montesquieu no século  18 permanece atual e ajuda a nortear minha tese sobre esse tema. Dizia ele: “Um cidadão merece a morte quando violou a segurança, a ponto de ter eliminado a vida. Esta pena de morte é como um remédio para a sociedade doente.”

Jean-Jacques Rousseau, escritor suíço que viveu na França, também no século 18, costumava dizer que “o homem é naturalmente bom, mas sua bondade foi corrompida pela sociedade”. Rousseau escreveu: “A prática do crime é uma violação do contrato social. Contra essa violação, tem a sociedade o direito de defender-se, matando seus inimigos.”

Hoje, mais de dois séculos depois as lições de Montesquieu e de Rousseau, temos um mundo de constantes distorções. E, no Brasil, não há nada mais distorcido que a tolerância diante do crime. Que haja pena de morte, sim: para os bandidos, não para suas vítimas.


PENA DE MORTE: O BRASIL E O MUNDO

Os números sobre crime e castigo nos Estados Unidos são a melhor forma para destruir a argumentação de determinados teóricos radicalmente contrários à introdução da pena de morte no Brasil. O país mais desenvolvido do mundo ainda enfrenta problemas de homicídios e tráfico de drogas, mas a incidência desses crimes foi reduzida de modo drástico nos últimos 20 anos, principalmente nos Estados que voltaram a adotar a pena de morte.

Ao contrário do que apregoam por aqui os defensores dos direitos humanos dos bandidos, as execuções de criminosos estão liberadas em todos os principais Estados americanos. Quando o castigo é duro, o bandido pensa duas vezes antes de praticar crimes hediondos, pelos quais é julgado e condenado.

A pena de morte esteve suspensa nos EUA durante quatro anos, de 1972 a 1976, por imposição da Suprema Corte, mas acabou sendo novamente liberada, para que cada Estado decidisse se deveria adotá-la e qual a forma de execução dos condenados. Dos 50 Estados que constituem o país, 37 adotam a pena de morte, entre eles Nova York, Califórnia, Texas, e Flórida. Segundo pesquisas, 24 desses Estados conseguiram reduzir ultimamente os índices de assassinatos. Em 5 não houve mudança. Em apenas 8 cresceu a criminalidade.

O pequeno Estado de Delaware, que registra o maior número de execuções per capita, é o que vem tendo o mais baixo índice de homicídios no país. Será que esses argumentos não bastam a quem teima só por implicância?


O BRASIL E A PENA DE MORTE

O crime não compensa? A resposta deveria ser sempre firme: os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário teriam de assumir posições totalmente a favor de punições rigorosas contra criminosos, para que a eventual impunidade não estimule o surgimento de novos criminosos.

Nos últimos dias, tivemos um exemplo muito interessante, por conta de uma notícia procedente da Ásia. Naquele grande continente, do outro lado do mundo, fica a Indonésia, país em que um brasileiro foi condenado à morte. Trata-se de Marco Archer Cardoso Moreira, de 42 anos, pára-quedista do Rio de Janeiro, preso pelas autoridades indonésias em agosto de 2003 como traficante de cocaína.

Ele foi julgado de forma regular e condenado à morte no início de junho. Se a apelação dos advogados ao tribunal não for aceita, Marco será executado por um pelotão de fuzilamento, em Jacarta, provavelmente no próximo ano.

Isso mesmo: na Indonésia existe pena de morte. E quem visita o país deve ficar sabendo disso. As leis locais precisam ser respeitadas. Portanto, quando o cidadão brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira desembarcou no Aeroporto de Jacarta levando 13 quilos e meio de cocaína e fugiu diante da ordem de prisão, deveria ter idéia do risco então cometido.

No Brasil surge estranha solidariedade ao traficante condenado. O deputado federal Fernando Gabeira - aquele mesmo! - apela ao governo da Indonésia contra a aplicação da pena de morte. Gabeira não tem mesmo o que fazer?!


AINDA A PENA DE MORTE

Já está provado, por meio de pesquisas, que a maioria da população brasileira apóia a adoção da pena de morte como forma de punir autores de crimes hediondos, entre os quais o seqüestro seguido de assassinato. Para quem ainda resiste à idéia de que a melhor maneira de evitar a multiplicação de criminosos é banir por completo os assassinos irrecuperáveis, aqui vai uma informação: os Estados Unidos, que constituem o mais poderoso país do mundo, concluíram que a pena de morte funciona e ajuda a combater o crime.

O economista Paul H. Rubin, catedrático da conceituada Universidade de Emery, na região de Atlanta, no Estado da Geórgia, acaba de divulgar estudos pelos quais conclui que a pena de morte pode mesmo reduzir a incidência de homicídios. Rubin, que foi assessor especial do governo Ronald Reagan nos anos 80, comparou os índices de homicídios entre centenas que municípios americanos e chegou a um resultado inquestionável: o número de assassinatos caiu bastante nos últimos anos, nos lugares em que existe pena de morte.

Além disso, Rubin aponta um dado fundamental: a condenação de um assassino é poderosa a ponto de convencer outras pessoas a não partir para a prática de homicídio. Conclui a pesquisa: a pena de morte aplicada a um único homicida é capaz de evitar até oito assassinatos. Assim, a partir da execução de um criminoso, é evitada a morte de oito pessoas inocentes. Não é o caso de se refletir melhor no Brasil sobre a adoção da pena de morte?


A PENA DE MORTE E O PATRULHAMENTO

Existe patrulhamento contra qualquer cidadão que venha a defender a introdução de pena de morte no Brasil. Mesmo que a proposta seja para usar essa forma de punição apenas nos casos comprovados de crime hediondo. E eu pergunto: onde está a democracia? Estranhamente, a patrulha contra a idéia de um plebiscito a respeito da pena de morte é liderada pelos mesmos defensores dos direitos humanos dos bandidos, aqueles perniciosos a favor de um plebiscito em 2005 para decidir sobre a proibição da venda e do uso de armas.

Para armas, segundo essa gente, o plebiscito é válido; para pena de morte, não. Qual o critério? A argumentação do grupo contrário à simples discussão a respeito da adoção de penas mais drásticas no País é a de que nada deve ser decidido sob o impacto da emoção, em época de um crime tão cruel.

Haverá algum período sem crimes chocantes? O mais recente, que provocou revolta em todo o Brasil, foi o episódio dos estudantes Liana Friedenbach e Felipe Caffé, seqüestrados em 30 de outubro, em Juquitiba, e assassinados sob a inspiração de um rapaz de 16 anos, vulgo “Champinha”. A repercussão desse caso ainda tem desdobramento, tanto que o pai de Liana, Ari Friedenbach, tem sido recebido por diversas autoridades. O respeitado rabino Henry Sobel participou da passeata contra a violência e declarou-se a favor da pena de morte. Em seguida, sofreu enormes críticas e pressões. E então: onde está a tal liberdade de expressão?

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AFANASIO JAZADJI - © 2007 - Todos os direitos reservados