
CRESCE A CRUELDADE DOS SEQÜESTRADORES
A crueldade dos
seqüestradores no Estado de São Paulo é cada dia
maior. Percebam, no noticiário dos últimos dias,
o quanto os bandidos têm maltratado suas vítimas
indefesas: alguns seqüestradores chegam a matar
pessoas confinadas em cubículos mesmo após o
pagamento do resgate, enquanto outros mutilam e
torturam seus reféns.
Em 22 de outubro,
foram esclarecidos dois casos do interior
paulista que terminaram em morte dos
seqüestrados. O primeiro crime ocorreu em São
João da Boa Vista: o estudante de direito Paulo
Roberto Margotto Muneda Júnior, de 21 anos, foi
assassinado com três tiros. Em Mairinque, foi
encontrado o corpo do comerciante Antônio de
Araújo, de 45 anos. Fazia pouco mais de um mês
que Antônio havia sido seqüestrado.
Na região
metropolitana da Capital, a situação é ainda
pior. Para pressionar pelo pagamento do resgate,
os seqüestradores de um estudante do bairro do
Ipiranga, Rubens Paulo de Barros Costa, filho de
um empresário do setor de autopeças, cortaram o
dedo mínimo da mão direita da vítima e o
mandaram para a família.
Uma denúncia
anônima, em 14 de outubro, levou o refém a ser
liberado e pôs fim ao seqüestro que durou 17
dias. Duas mulheres e um adolescente foram
detidos como suspeitos. Em seguida, 15 policiais
estouraram o cativeiro. Zenilda Maria Silva dos
Santos, de 40 anos, era a cozinheira da
quadrilha. Com a ajuda de seu filho de apenas 14
anos, ela vigiava o jovem seqüestrado. Dois
criminosos fugiram pulando o muro da casa. O
estudante, apavorado, foi encontrado no andar de
cima. Na mão direita, um curativo improvisado. O
dedo do rapaz havia sido decepado alguns dias
antes, com faca de cozinha.
O dedo de Rubens
foi colocado numa caixa e abandonado na Rodovia
Presidente Dutra. A família foi avisada mas não
encontrou a caixa. A proprietária da casa usada
como cativeiro, Dulcinéia Mariano, também foi
detida: ela cedeu a residência para os bandidos
e foi morar num hotel no centro de São Paulo.
Rubens foi seqüestrado quando chegava em casa,
no bairro do Ipiranga. Os criminosos usaram um
carro e duas motos para cerca-lo. Após levar o
estudante para o cativeiro, a quadrilha exigiu
R$ 600 mil. Menos mal que esse refém foi
resgatado com vida, mas houve muita crueldade
por parte dos bandidos.
Em São Bernardo do
Campo, ocorreu um caso de seqüestro com final
realmente trágico. O comerciante Jackson
Watanabe Komati, de 24 anos foi assassinado
depois de sua família ter pago o resgate. Antes
de matarem Jackson, os criminosos cortaram um
dos dedos da vítima para pressionarem os
familiares a pagar o resgate, o que acabou
acontecendo, mas a esperança acabou quando o
corpo do comerciante foi encontrado.
Esse tipo de
violência tem sido tão grande que o Hospital das
Clínicas da USP criou um setor específico em seu
Departamento de Psiquiatria para atender as
inúmeras vítimas de seqüestradores. Verifica-se
que, em muitos casos, são “seqüestradores de
fundo de quintal”, pessoas de má índole que são
estimuladas a aderir ao crime por causa da idéia
de impunidade. Assim, pode-se concluir que o
Governador Geraldo Alckmin está certo ao exigir
um estilo mais agressivo à polícia para combater
os bandidos. Antigos assaltantes de bancos
também passaram a aderir aos seqüestros, de
acordo com as estatísticas. Cabe à sociedade
cumprir sua parte, clamando que tais criminosos
sejam punidos com rigor.
SEQÜESTROS: NÚMEROS MENTIROSOS
É possível acabar com a fome, com
a miséria e com a violência apenas por meio de
falsas estatísticas, alterando os números
verdadeiros? Claro que a resposta é negativa.
Pesquisas devem refletir a realidade, sem
qualquer deturpação, para que atinjam suas reais
finalidades. Pois bem: determinados setores da
Secretaria da Segurança Pública do Estado de São
Paulo decidiram
inovar na manipulação de dados e chegaram à conclusão de
que seqüestros-relâmpago, crimes tão freqüentes
na Capital, no Litoral e no Interior, já não
existem.
Isso mesmo! Segundo a
Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP)
órgão daquela que passou a ficar com a tarefa de
atualizar as estatísticas da violência e da
criminalidade em nosso Estado, substituindo
nessa função o Departamento de Investigações
sobre o Crime Organizado (Deic), já faz seis
meses que não ocorre aquele tipo de seqüestro.
Milagre? Não. Em setembro, houve 63
seqüestros-relâmpago na Capital, mas, depois
disso, a CAP não tem um só registro de tal
crime. Tenho, porém, a explicação para esse
absurdo.
Já faz mais de três anos que, como deputado
estadual, denunciei a tendência da Secretaria da
Segurança Pública de manipular dados para tentar
mostrar uma reação contra a criminalidade. Em
delegacias, muitos seqüestros-relâmpago não eram
registrados como tal e sim como simples furtos
ou até mesmo “extravio de documentos”... Em 1999
houve 8 mil casos na Capital, mas a Polícia
admitia só 2 mil. Agora, a mentira é pior:
“nenhum caso”!!! Isso é o fim!
(Março /
2004)
SEQÜESTROS AINDA EXIGEM AÇÃO
Nos últimos dias,
a mídia divulgou um fato bastante positivo para
a guerra do Estado de São Paulo contra a
violência e a criminalidade: o seqüestro, um dos
crimes que vem preocupando as autoridades e a
sociedade nos últimos anos, diminuiu 73% em
nosso Estado, nos três primeiros meses deste
ano, em comparação com o primeiro trimestre do
ano passado. Na capital, houve queda de 60%. Nos
municípios que compõem a Grande São Paulo, a
redução chegou a 81% no mesmo período. Casos
violentos, como homicídio, furto e roubo de
veículos e latrocínio também diminuíram. Os
crimes contra o patrimônio, como furtos e
roubos, acabaram aumentando, segundo o balanço
apresentado no início de maio pela Secretaria da
Segurança Pública do Estado.
O secretário Saulo Castro Abreu
Filho explicou que o governo Geraldo Alckmin
está “trabalhando para fazer com que a população
tenha cada vez mais segurança” e lembrou que o
seqüestro tem sido uma modalidade de crime
contra a qual existem novas formas de combate.
Houve vários casos de seqüestro que foram
marcantes, pela violência apresentada. Alguns
terminaram em morte, outros tiveram final feliz,
porém, após sofrimento dos seqüestrados, como
ocorreu no caso dramático do publicitário
Washington Olivetto, de 2001 para 2002.
O sucesso no
combate ao seqüestro, segundo o secretário
Saulo, deve-se à eficiência dos policiais da
Divisão Anti-Seqüestro (DAS), e esquemas de
repressão e à colaboração da população,que está
perdendo o medo dos criminosos e vem denunciando
cada vez mais, permitindo a prisão das
quadrilhas. Ninguém pode negar que o atual
governador está conseguindo evolução no campo da
segurança pública, mas muito ainda precisa ser
feito.
Na Grande São
Paulo, de janeiro a março do ano passado,
ocorreram 25 seqüestros. No mesmo período deste
ano, foram apenas 5. Sem dúvida, a prisão de
várias quadrilhas contribuiu para isso. O
importante é mostrar para a opinião pública que
o crime não compensa. Muitas quadrilhas
surgiram, ultimamente, com base na idéia de que
os seqüestradores poderiam perfeitamente manter
uma pessoa num cubículo por semanas e semanas, e
exigir resgate robusto.
Certamente a
libertação precipitada dos dez seqüestradores do
empresário Abílio Diniz contribuiu para essa
idéia. De repente, o crime de
seqüestro,
que era restrito às grandes cidades, tomou conta
de certas áreas do Interior, como Campinas,
Ribeirão Preto e São José dos Campos. Em boa
hora, o governo reagiu, mas seu sucesso será
maior se a polícia não descuidar da prevenção e
da repressão.
Segundo a
Secretaria da Segurança Pública do Estado, os
homicídios diminuíram na Capital 10%, os furtos
de veículos, 6% e os roubos de veículos, 13%. O
tráfico de drogas apresentou um aumento de 51%;
os roubos nas ruas, lojas, nos estabelecimentos
comerciais e nas empresas aumentaram 5% e os
furtos, 12%.
Sobre os crimes contra o
patrimônio, o secretário explicou que um dos
motivos para o aumento é a falta de lazer dos
jovens e a faixa etária dos ladrões. A maioria
dos assaltos e furtos vem sendo praticada por
jovens na faixa entre 18 e 25 anos, que vão em
busca de dinheiro para consumo de tóxicos. Sem
dúvida: a tarefa de melhorar a atual situação
tem algo a ver com a família, com a comunidade,
com a mídia. Mas a polícia tem de cumprir seu
papel. (Maio / 2003)
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