
A LIDERANÇA DO
BRASIL NO RANKING DO CRIME
Uma pesquisa da
Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou no
início de outubro resultados chocantes para o
Brasil: pela média, somos o terceiro país no
ranking mundial de homicídios. Em números
absolutos, estamos em primeiro lugar. Segundo o
documento, que levou mais de três anos para ser
preparado, 37 mil pessoas foram mortas no Brasil
em apenas um ano, 1995. Hoje, como se sabe, a
situação está ainda pior. As principais vítimas
dos homicídios são homens, principalmente entre
15 e 29 anos. Esse grupo representa metade de
todas as vítimas.
O segundo lugar no
ranking de homicídios é ocupado pela Rússia, com
33 mil ocorrências em 1998. O Brasil, embora
seja líder nessa classificação em termos
absolutos, aparece em terceiro lugar em relação
ao número de homicídios por habitante. A cada
100 mil brasileiros, 23 são mortos por ano. O
número é inferior ao da Colômbia, que passa de
60 mortes para cada 100 mil habitantes. Em El
Salvador, na América Central, a OMS constatou
que 55 pessoas são mortas para cada 100 mil
habitantes.
É muito importante
a conclusão de Etienne Krug, integrante do grupo
de autores do relatório da OMS: para ele, a
desigualdade social e a impunidade são os
principais fatores que explicam o aumento da
violência nos últimos anos em nosso país.
A questão da
impunidade é um grande problema, que tenho
combatido como deputado estadual nestes últimos
16 anos. Não adianta contar com equipamentos de
repressão, se a polícia não age com rigor
intenso e se o Poder Judiciário contribui para
os bandidos não serem punidos. Pesquisas
nacionais e internacionais confirmam minha tese.
Ainda de acordo
com a OMS, a violência consome 1,9% do PIB do
Brasil por ano em tratamentos de saúde das
vítimas, índice superado na América Latina
apenas pela Colômbia e por El Salvador, onde a
violência consome quase 5% do PIB.
A cada minuto, uma
pessoa morre assassinada no mundo. A cada ano,
homicídios e outras formas de violência matam
1,6 milhão de pessoas, o que equivale a 3% do
total de mortes no mundo. Outros milhões de
pessoas ficam feridas, com seqüelas físicas e
psicológicas que precisam ser tratadas. Nas
áreas mais pobres da América Latina, a violência
é de 5,2% do total das mortes, índice superior
das doenças cardiovasculares.
Um outro problema
que preocupa a OMS é a violência sexual. O
estudo demonstra que, em alguns países, 30% das
mulheres tiveram sua primeira experiência sexual
de modo forçado e não natural. Em São Paulo, 10%
das mulheres afirmam ter sofrido abuso sexual
por parte de seus parceiros. Em Pernambuco, o
índice chega a 14%.
Esses números são
muito tristes para o Brasil. No ano em que nosso
país ganhou o título mundial de futebol pela
quinta vez e voltou a aparecer com destaque nas
televisões do mundo na época dos desfiles de
escolas de samba do carnaval carioca, temos a
lamentar o fato de o Brasil surgir com tanto
destaque num outro tipo de ranking, o da
violência.
Espero que a
partir do próximo ano, com novos governantes,
com o Executivo e o Legislativo sendo eleitos
pelo povo neste mês e com um Judiciário mais
eficaz e justo, tenhamos um rumo melhor. Nestes
anos todos, cada um de nós tem dado uma
contribuição, em termos de cidadania. Agora, é
importante que a violência seja atenuada de
verdade.
(2002)
A ARMA, A
VIOLÊNCIA E A LEI
O Brasil corre o
risco de, em nome do combate à violência,
cometer um grande erro. A solução está nas mãos
do Congresso Nacional e cada cidadão coerente
deve lutar para impedir esse erro, que seria a
proibição da venda de armas no País. De minha
parte, como deputado estadual em São Paulo,
acostumado a analisar a violência e a
criminalidade, tenho usado a tribuna da
Assembléia Legislativa, os meios de comunicação
e todos os meus recursos para tentar evitar uma
fórmula prejudicial aos interesses do povo. Em
síntese, é um absurdo acreditar que uma
proibição de armas leva ao fim dos problemas.
O projeto do
governo federal de restringir a venda e a posse
de armas em todo o País ainda vai dar muitas
discussões no Congresso e certamente tem de
sofrer grandes alterações, antes de ser
transformado em lei.
Na Assembléia, não
só manifestei minhas críticas a esse projeto
como também já tinha apresentado propostas,
demonstrando anteriormente minha tese oposta ao
desarmamento dos cidadãos. As vítimas em
potencial precisam defender-se dos bandidos
armados, que têm facilidade para conseguir esses
poderosos armamentos. Enviei recentemente meu
ponto de vista aos mais atuantes senadores e
deputados federais, em Brasília. Ao contrário do
que muita gente afirma, o aumento da
criminalidade não está ligado às armas, mas sim
a alguns problemas, que exigem ações dos
governos e das comunidades.
Analisem estes
números: a venda de armas no Brasil decresceu de
86.857, no ano de 1995, para 17.531, em 1998. Os
casos de violência, por sua vez, vêm crescendo
tanto nas capitais quanto nas pequenas cidades.
Em dezembro de
1996, a Capital de São Paulo, a maior cidade do
País, teve 658 homicídios; dois anos depois, em
dezembro de 1998, o total subiu para 756. Também
aumentaram os casos de assaltos, furtos e
tráfico de drogas.
Já a emissão de
portes e o registro de armas na Capital durante
todo o ano de 1998 foram reduzidos a apenas um
quarto do total de 1996. Ou seja: ocorreu uma
queda brutal do número de revólveres usados por
cidadãos de bem, em comparação com o número de
atos criminosos praticados por bandidos armados.
Insisto: na
Capital, assim como no Litoral e no Interior,
caiu o porte de armas pelas vítimas e aumentou o
uso de revólveres pelos bandidos na prática de
crimes. Existem erros gritantes nesse projeto do
governo Fernando Henrique Cardoso, a começar
pela origem. Isso mesmo: pela origem.
Tudo começou, no
fim de abril, quando o presidente da República
participou de um programa de televisão, o “Roda
Viva”, da TV Cultura, falando direto do Palácio
da Alvorada. Diante da pergunta de um dos
jornalistas sobre a tese da proibição da venda
de armas para combater a criminalidade, Fernando
Henrique disse estar estudando mudanças para
tornar a legislação mais rígida. Então, logo
apareceram os “mais realistas que o rei”, como o
ministro da Justiça, Renan Calheiros, e aquele
secretário nacional dos Direitos Humanos, José
Gregori, o tal que mostra compaixão diante de
bandidos presos e nada faz para atenuar o drama
de famílias de vítimas da violência. Foi
rapidamente preparado um esboço de projeto,
prevendo a proibição da venda de armas e
munições e a restrição do uso de revólveres por
pessoas interessadas em se proteger do ataque de
bandidos. Até juízes e promotores, de acordo com
a proposta, não poderiam mais andar armados.
Haveria sanções também contra empresas aéreas e
de ônibus que viessem a transportar pessoas
armadas.
Tenho esperança no
Congresso. Cada cidadão deve procurar seu
deputado federal e seu senador de confiança para
manifestar sua posição contrária ao projeto de
FHC. A classe política precisa enfrentar o
desgaste moral provocado por escândalos, como os
da Câmara Municipal de São Paulo, e mostrar que,
num regime democrático, prevalece o interesse do
povo e não um projeto de lei apressado. O
Legislativo tem obrigação de recusar ou de
reformular esse projeto.
Não descansarei
enquanto não receber de Brasília uma notícia
positiva, a rejeição do Congresso à proposta
leviana do Palácio do Planalto.
Há dois anos, o
Governo incentivou a população ao
recadastramento de armas, sem a necessidade da
declaração de sua origem. Agora, surge essa
panacéia. Ou seria uma seqüência do plano
previamente urdido, para até confiscar, se
aprovada essa lei, as armas inclusive de
colecionadores? A se confirmar isso, seria outro
golpe, para não dizer traição à cidadania, à
população pacata e pagadora de seus - cada vez
mais caros - impostos.
(2002)
SEGURANÇA EM RISCO
Infelizmente os
assuntos de segurança em nosso País continuam
sendo tratados por amadores, meros palpiteiros,
talvez até por alguns mal intencionados.
Arquivadas as idéias de unificação das polícias
e da criação de uma guarda nacional, fala-se
agora na possibilidade de um estado da federação
“emprestar” a outro sua força policial, para
debelar eventual greve ou substituir seus
profissionais de segurança.
Pior idéia não
poderia ter surgido. Qual estado teria
disponibilidade de efetivo para isso? Não
estaria aí a semente de possível guerra entre
unidades da federação? E se os acionados
(emprestados) também engrossassem a greve dos
colegas?
Como já dizia um
antigo político em casos idênticos, ao invés do
envio de tropas – federais ou estaduais – não
seria bem melhor acionar, rápido, o trem
pagador?
Só dignificando policiais civis e
militares com um salário condizente com sua
importância na sociedade haveria certeza de paz
na instituição. De resto, nossas polícias
continuarão sendo as melhores fornecedoras de
mão-de-obra para empresas particulares de
segurança.
(Fórum de Debates - O Estado de
São Paulo - 7/8/2001)
HOMICÍDIOS:
ESTATÍSTICAS CHOCANTES
A cada ano, mais de 40 mil
pessoas são assassinadas no Brasil. De 1980 a
1990, o número de vítimas chegou a 183 mil. Na
década seguinte, de 1990 a 2000, o total saltou
para 401 mil mortes violentas. Vejam bem: em dez
anos, o País perdeu mais de 400 mil vidas
preciosas, o correspondente à população de uma
cidade do porte de Ribeirão Preto, uma das
maiores do Estado de São Paulo.
Esses números se comparam aos de
vítimas fatais de guerras sangrentas das últimas
décadas, como a do Vietnã, a do Golfo e a do
Kosovo. Esse balanço também chega a lembrar as
constantes chacinas de algumas guerras civis na
África, como as do Congo, Uganda, Ruanda,
Etiópia, Nigéria, Angola e Libéria. Pois é...
Nosso País não tem terremotos, não tem vulcões,
não tem guerras, mas sofre de uma incrível
epidemia: a dos assassinos. E o pior é que boa
parte desses criminosos acaba ficando impune, em
liberdade.
As estatísticas sobre os assassinatos em Estados
brasileiros constam do documento “Saúde Brasil
2004”, apresentado pelo Ministério da Saúde, no
fim de junho, no Congresso de Epidemiologia, em
Recife. O número de homicídios no País é tão
grande que passou a ser tratado como problema
grave de saúde pública. O próprio governo
federal alerta para isso. Entretanto, todos nós
sabemos que, apesar desse alerta, pouco se faz
em Brasília para um combate mais efetivo à
violência e à criminalidade. Tem havido muita
espuma, muito marketing, muitos planos... E nada
de resultados práticos. Até quando?
(Julho/2004)
MAIS ARMAS,
MENOS VIOLÊNCIA
Nos laboratórios de Brasília,
está sendo fermentada mais uma proposta para
manter o sobressalto da população brasileira, já
tão assustada com os índices de violência e
criminalidade: um tal de Estatuto do
Desarmamento. Nome bonito e pomposo, porém de
eficiência zero.
Não tenho medo de errar ao
qualificar certas autoridades como verdadeiras
“inimigas do povo”. Gente rancorosa, rançosa.
Muitas dessas pessoas têm um passado
comprometido com lutas de classes, tendo sido
defensoras de quem maculou a Pátria e até
manchou nosso solo com sangue de gente
pacífica: elas continuam acreditando no “quanto
pior, melhor”.
A discussão que se desenvolve
para a criação de uma lei de proibição do
comércio e uso de armas no Brasil, da cassação
de todos os portes legais para pessoas de bem e
de um endurecimento que acaba punindo a
sociedade só deve merecer mesmo o aplauso dos
bandidos e do crime organizado.
Defensores sobejamente conhecidos
de bandidos da pior espécie, guindados à
condição de deputados federais e a cargos no
Executivo federal, têm assumido o papel de
“papagaios de pirata”, tentando aparecer. Eles
querem porque querem. Insistem em empurrar a
sociedade a viver em verdadeiro caos.
As manifestações de certas
“autoridades”, nesta época em que pesquisas
apontam aumento do medo da população em relação
à criminalidade, soam como autênticas dicas,
palavras de ordem para criminosos em potencial.
Essas figuras sinistras, que
adoram exercer o poder, fazem, descaradamente, o
jogo do inimigo do povo, agradando os seus mais
chegados.
Tais personagens são useiros e
vezeiros em frases feitas – muitas já caducas –
contra as pessoas honestas, pagadoras de
impostos, que agora estão sob o risco de não
poderem, em caso de necessidade, recorrer às
armas para sua legítima defesa ou para proteção
de seus familiares e seu patrimônio.
Eles parecem não saber – ou não
lhes convém dizer –, por exemplo, que o Rio
Grande do Sul é o Estado da Federação com maior
número de pessoas portadoras de armas. E nem por
isso os gaúchos são recordistas em violência
criminal. Muito pelo contrário! Os números estão
aí para provar!
Imaginem só o que ocorreria para
o lado dos bandidos, no caso de haver, de fato,
a proibição de expedição de porte legal de arma
para pessoas de bem. Cada facínora estaria com
sua atividade criminosa franqueada para assaltar
não só uma residência como um restaurante lotado
ou um cinema repleto, sempre com a certeza de
que não haveria a mínima reação.
Todos sabem: o que freia um pouco
a audácia de um fora-da-lei é a dúvida sobre o
risco de ele ter pela frente alguém preparado
para enfrentá-lo. Por que os bandidos temem a
polícia nas ruas? Porque sabem que, num revide,
poderão morrer. O medo e a dúvida ainda aplacam
sua violência.
A sociedade, não tendo esse
recurso a seu favor, a quem recorrerá?
(Julho/2003)
UNESCO ADVERTE
PARA VIOLÊNCIA NO BRASIL
O Senegal, país
africano que ficou famoso ao vencer a França por
1 a 0 na abertura da Copa do Mundo, é também a
terra de Pierre Sané, um conceituado
especialista em direitos humanos, atualmente
diretor-geral adjunto da Unesco, órgão da ONU
voltado para a educação, ciência e cultura, com
sede em Paris. Sané esteve em São Paulo na época
do Copa do Mundo, quando o País só falava de
futebol, e deixou uma mensagem que merece
reflexões, agora que o pentacampeonato já foi
tão comemorado – aliás, com toda a justiça.
Sané, que exerceu
o cargo de secretário-geral da Anistia
Internacional, visitou vários países marcados
pela violência, como África do Sul, Quênia,
Ruanda, Burundi, Angola, Colômbia, Israel e
Iraque. No entanto, ao ser informado que, no
Rio, em São Paulo e em outras grandes cidades
brasileiras, determinados alunos chegam a
abandonar os estudos por causa do medo da
violência que toma conta das ruas e invade
escolas, ele comentou: “Não vi isso em outros
lugares. É algo que não poderia acontecer.”
Pierre explicou
que a Unesco patrocinou pesquisas que mostram o
índice de violência no Brasil, especialmente
entre os jovens de 15 a 24 anos. “Estão entre os
níveis mais altos do mundo. Entre as causas das
mortes estão homicídios, suicídios, acidentes de
trânsito. Toda uma geração está sendo varrida
pela violência.” Segundo Sané, “existe a
necessidade de o governo do País e a sociedade
levarem esse assunto muito a sério”.
O dirigente da
Unesco explicou que é preciso ampliar os
esforços para combater o envolvimento dos jovens
com as drogas e com o tráfico de tóxicos: “Os
esforços devem ser
coordenados. Um
deles é oferecer educação com qualidade para
todas as crianças, sem discriminação. E as
escolas têm de ser valorizadas, protegidas
contra os bandidos.”
A Unesco, que tem
uma representação em Brasília, patrocina no Rio
o projeto Escolas da Paz, que abre colégios nos
fins de semana e oferece atividades aos jovens.
Mais opções como essas, segundo Sané, são
importantes: “Já vi outras sociedades em que a
violência leva anos para ser enfrentada. Mas, se
existir vontade política, o obstáculo pode e
deve ser superado. Todos os esforços exigem
participação dos governos e da sociedade.
A tentativa de
abrir escolas nos fins de semana, na luta para
atrair o interesse das comunidades para esses
locais não é nova. Em São Paulo, já nos anos 80,
quando a violência não era tão grande, o então
secretário estadual de Esportes e Turismo, Caio
Pompeu de Toledo – falecido em 1994 – pôs em
prática um projeto para serem usadas as quadras
de esportes das escolas estaduais aos sábados e
domingos. Três anos atrás, a então secretária da
Educação do Governo do Estado, Rose Neubauer,
lançou o programa Parcerias do Futuro, pelo qual
escolas passaram a ter programações de músicas e
esportes. Essa idéia, porém, esbarrou na falta
de ações paralelas: funcionários públicos, como
professores, não receberam pagamento extra por
tal esforço. Enquanto isso, ainda sob o governo
Mário Covas, a violência cresceu. Coube ao atual
governador, Geraldo Alckmin, tentar corrigir
antigos erros, inclusive reforçando a vigilância
nas escolas.
Como deputado estadual, apresentei na Assembléia
Legislativa de São Paulo vários projetos de lei
de preservação das escolas e dos alunos. Não se
pode tolerar, no Estado mais evoluído do País, o
grau de violência que mata diretores,
professores e alunos, que afasta pessoas
interessadas no ensino. Esse absurdo tem de
acabar de uma vez.
(Julho/2002)
VIOLÊNCIA MATA
MAIS JOVENS
O homicídio
tornou-se, nos últimos anos, a principal causa
de morte entre jovens no Brasil. Os números
cresceram bastante na virada do milênio,
principalmente nas grandes cidades paulistas,
como São Paulo, Campinas e Santos. Atualmente,
em nosso país, de cada duas mortes por causas
externas de jovens de 15 a 24 anos de idade, uma
é por assassinato. Ou seja: 50% dos casos são
decorrentes da violência e da criminalidade.
De acordo com uma
pesquisa da Secretaria do Desenvolvimento,
Trabalho e Solidariedade de São Paulo, o total
de vítimas de assassinato entre jovens de 15 a
24 anos cresceu 30% no período de 22 anos
compreendido entre 1978 e 2000. Os índices do
Brasil apresentam enorme gravidade e superam os
dos Estados Unidos, Rússia, Argentina, México,
Israel, Croácia e Eslovênia. Essa pesquisa foi
estruturada a partir do cruzamento de
informações do IBGE, com base nos censos de
1980, 1991 e 2000, e também com dados divulgados
pela ONU e pela Organização Mundial de Saúde.
Em 1993, a
porcentagem de jovens assassinados no Brasil em
relação ao total de vítimas de homicídios era de
28,7%. Essa participação deu o incrível salto
para 37,3% no ano 2000. A cada ano, a situação
mais se agrava quanto às perspectivas da
juventude.
Convém lembrar que na região
metropolitana de São Paulo, quase todas as
chacinas têm entre as vítimas pelo menos um
jovem. Muitas vezes, esse tipo de crime está
ligado ao tráfico de drogas: adolescentes são
usados por traficantes e depois acabam sendo
mortos para queima de arquivo. Mas também
existem os casos em que jovens da classe média
são mortos em assaltos. E, por uma ironia, os
assassinos também são jovens.
A conclusão dessa
pesquisa é bastante triste, se levarmos em conta
que os governos estaduais e federal têm
investido muito dinheiro em escolas. Ninguém
pode negar que, em pouco mais de sete anos das
duas gestões do presidente Fernando Henrique
Cardoso, o Ministério da Educação aplicou
enormes verbas para modernizar o ensino, com
ajuda do Banco Mundial. O Estado de São Paulo
também foi beneficiado por esses recursos
financeiros. No entanto, de nada adianta todo o
esforço governamental para incentivar a educação
se a violência vem crescendo até mesmo dentro
das escolas.
O Governo do
Estado conseguiu provar, nos últimos meses, que
ações em defesa do combate ao crime acabam
provocando efeito positivo. Foi assim no ataque
da Polícia Militar a uma enorme quadrilha de
assaltantes perto de Sorocaba, culminando com a
morte de 12 bandidos. Também tem sido eficaz a
prevenção contra seqüestros em várias regiões,
apesar de ainda ocorrerem alguns casos desse
tipo de crime. Além disso, o governador Geraldo
Alckmin vem dando prioridade à construção de
modernos presídios de segurança, como o de
Presidente Bernardes, onde é possível tratar
preso como preso, sem privilégios.
Não existe mais
tempo para tolerância e para incompetência.
Temos de continuar reagindo à ameaça de novas
mortes entre jovens em nosso Estado. É
inaceitável verificar que, além de haver a
ameaça das doenças de Terceiro Mundo, a
juventude de São Paulo sofre com uma violência
característica de países em verdadeira guerra
civil. Soluções existem e vem sendo, em parte,
colocadas em ação. Só esperamos que essa
tentativa de reação contra os criminosos são
seja simples marketing de época de eleições.
(Abril/2002)
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