Infelizmente
as mulheres vêm tentando se igualar aos homens
no que eles têm de pior: a maldade, a cabeça
voltada para o crime. E, dessa forma, acabam
indo parar na cadeia também como gente grande.
Os dados
são do Depen (Departamento Penitenciário
Nacional): nos últimos oito anos, a população
carcerária feminina cresceu num ritmo 75% acima
da masculina. O número de mulheres encarceradas
saltou de 14,6 mil, em 2000, para 25,8 mil, em
2007, avanço de 77%.
Em
intervalo idêntico, o número de presos também
cresceu, só que em menor escala. Avançou de
275,9 mil para 396,5 mil, um salto de 44%.
Ligado ao tráfico de drogas, o crescimento da
população carcerária feminina dá sinais de
fôlego.
No ano
passado, em relação a 2006, o avanço das
mulheres (12%) foi 147% superior ao dos homens
(5%). Mantido esse ritmo, a população feminina
em penitenciárias, presídios, centros de
detenção provisória, cadeias públicas e
delegacias atingirá a casa das 100 mil em 2019.
As
mulheres estão sendo presas principalmente por
conta do tráfico de drogas, capturadas quase
sempre como “mulas” (transportadoras) de
entorpecentes. É um crime com sentenças altas e
com menos benefícios. O avanço percentual desse
contingente feminino se deve, também, ao fato de
muitas dessas mulheres estarem presas em cadeias
públicas e delegacias, onde não possuem a opção
de trabalho e, como conseqüência, de remissão de
pena.
Em
dezembro de 2007, o país contava com 55 unidades
específicas para mulheres, entre as quais 35
penitenciárias e 11 presídios. Das 25,8 mil
presas, 30% delas (7.791) estavam em delegacias
ou em cadeias públicas. Assim como o Estado não
se preparou para o contingente masculino nas
cadeias, também não se preocupou com as
mulheres.
O
Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública
com Cidadania), aposta do governo para a área,
prevê até 2012 o repasse de verbas aos Estados
para a abertura de 41 mil vagas no sistema
carcerário, sendo 4.000 delas para mulheres. Até
lá, seguindo o atual ritmo, pelo menos 10 mil
novas mulheres terão ingressado nos cárceres
brasileiros.
Não
existe, até o momento, qualquer previsão de
construção de mais penitenciárias femininas no
país, mesmo com o avanço de mulheres no sistema
só tendendo a aumentar. São mulheres que além de
sofrer um processo de discriminação enquanto
presas, acabam voltando para o tráfico por conta
da incapacidade do sistema carcerário de
reinserí-las na sociedade. Presas, muitas não
recebem visitas da família, dos filhos, o que as
deixa ainda mais vulneráveis a retornar ao
crime.
Nossas
cadeias estão abarrotadas. E o número é cada vez
maior dos que são presos como meros repassadores
(avião) ou transportadores (mulas). Estes é que
estão enchendo os presídios masculinos e
femininos. Algo precisa ser feito e até mesmo no
Judiciário já se percebeu isso.
Há quem
defenda uma mudança na lei para livrar da cadeia
os “repassadores” de drogas, classificados pelos
policiais geralmente como “coitados, inocentes
úteis”. Duas são as justificativas: diminuiria o
problema a superlotação dos presídios e, ao
aplicar a eles uma pena alternativa, haveria uma
chance de reintegrá-los à sociedade.
A idéia
é que os “repassadores” passem a ter um
tratamento semelhante ao aplicado dois anos
atrás aos usuários e dependentes de drogas, que,
por conta de uma mudança na legislação, ficaram
livres da prisão e passaram a cumprir penas
alternativas.
Hoje,
14% da massa carcerária (cerca de 70 mil presos)
está recolhida por tráfico de drogas. Mas quem
está no presídio não é o verdadeiro traficante,
embora se encontre enquadrado como tal pela
nossa cultura judiciária. Quem está lá é o
entregadorzinho pé-de-chinelo.
Voltando
às mulheres, a igualdade com os homens se faz
até nas piores coisas. Criminais,
principalmente. E o triste exemplo está aí!
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