Guaracy Moreira Filho, delegado de polícia, professor da Academia de Polícia de São Paulo e autor de livros técnicos, é de uma família tradicional da Mooca, bairro também do Afanasio. Seu pai, Guaracy Moreira, ficou conhecido como o “Delegado Poeta”. Por sua vez, Guaracy Moreira Filho é um dos exemplos de competência dos delegados paulistas, tendo atuado no Departamento de Homicídios e em vários bairros. Nos anos 70, ficou amigo do Afanasio, um repórter que insistia em acompanhá-lo em missões policiais para conseguir a informação em primeira mão. Na década de 80, Guaracy e o Afanasio foram buscar um justiceiro no Itaim Paulista, na Zona Leste da cidade: era o ”Chico Pé-de-Pato”, que, por matar bandidos da região, contava com o apoio de boa parte dos moradores. O justiceiro fez questão de se entregar ao Afanasio, como relata Guaracy:

       

       Na época, o Afanasio trabalhava na Rádio da Capital, onde repetia a grande audiência conquistada na Rádio Globo. Seu programa e seu estilo eram muito respeitados pelo público. Além disso, o Afanasio impunha credibilidade junto aos delegados, pois deixava evidente sua intenção de colaborar no combate ao crime, um importante papel da mídia. “Chico Pé-de-Pato” era um justiceiro, daqueles que matam bandidos em nome da proteção dos moradores. Ele havia matado mais de 40 bandidos, sempre na Zona Leste. Começou nessa vida ao vingar a esposa e a filha, que haviam sido estupradas. Chico estava escondido no Jardim das Oliveiras e até se dispôs a se entregar à polícia, mas com uma condição: a de que o Afanasio estivesse junto. Ele se entregaria somente ao Afanasio.

        Fomos, então, atrás do Chico, na Zona Leste da Capital. Lá, o justiceiro estava sendo protegido por mais de 800 pessoas, que tentavam impedir sua prisão, alegando que “ele só matava bandidos”. Demonstramos para aquela gente que a tarefa de enfrentar criminosos era da polícia e não de justiceiros, que matam sem qualquer direito a julgamento. Conseguimos, afinal, levar Chico para a delegacia, onde foi indiciado, depois de confessar os crimes. Algum tempo depois, Chico acabou sendo assassinado por outros presos numa rebelião em Franco da Rocha.

     O Afanasio sempre foi um jornalista corajoso. Operações como aquela para prender “Chico Pé-de-Pato” eram perigosas. Ele sabia que estava arriscando a vida ao acompanhar os policiais. Mas percebi que sua intenção era garantir o melhor trabalho para seus leitores e ouvintes.

     Não há dúvidas de que o Afanasio tem coragem e ética. Provou isso como jornalista e depois como deputado estadual. É importante o jornalismo ter vários outros Afanasios para ajudar a polícia a esclarecer crimes e a atenuar a violência em São Paulo. Nesta época em que o Afanasio completa 40 anos de Jornalismo, quero enviar a ele um abraço de parabéns e de agradecimento.

   

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