CRIEI O DISQUE-DENÚNCIA
EM 1980
A mídia tem
noticiado, com frequência, casos de
seqüestros que foram esclarecidos a partir
de denúncias anônimas feitas pelo telefone à
polícia. Isso vem sendo possível a partir do
serviço Disque-Denúncia, introduzido pela
Secretaria da Segurança Pública do Estado de
São Paulo em outubro de 2000. A fórmula é
simples: a Polícia divulga um número de
telefone pelo qual as pessoas podem dar
informações relacionadas com a suspeita de
algum crime, sem terem seus nomes revelados.
Esse sistema existe não só na Capital como
também no Litoral e no Interior. Além disso,
outros Estados, animados com o sucesso do
Disque-Denúncia paulista, já estão adotando
o mesmo tipo de serviço.
Portanto, o
Disque-Denúncia foi criado há apenas três
anos e meio, por iniciativa da Polícia.
Certo ou errado? Errado. O Disque-Denúncia
foi introduzido pela primeira vez há 24
anos, não por iniciativa da Polícia, mas sim
por um programa de rádio de grande
audiência: meu programa “Patrulha da
Cidade”, apresentado naquela época na Rádio
Globo de São Paulo.
Em 1980,
quando já era grande o número de
assassinatos insolúveis, pedi aos ouvintes
que me revelassem autores de crimes,
anonimamente, sem qualquer risco. Os dados
eram por mim repassados à Polícia, que, por
sua vez, investigava. Graças a isso, num só
mês ajudamos a prender 19 assassinos. Ainda
assim, enfrentei críticas: defensores dos
direitos humanos dos bandidos, que existem
até hoje, alegavam que aquilo era “dedodurismo”!
Erraram...
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